segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A Mulher Que Há Em Mim - Relato De Uma Transgênero Em Descoberta

    Olá gente. Hoje estou aqui para falar de mais uma faceta de quem sou, que, atualmente (e em muitos outros momentos da minha vida), ocupa um espaço gigante na minha cabeça: O meu gênero.

    Recentemente me assumi como transgênero não-binário e muitas pessoas ou simplesmente não aceitaram a ideia (como se isso coubesse a elas!) ou não entenderam o que eu estava dizendo. NORMAL, até relativamente pouco tempo, nem eu e nem uma grande parcela da sociedade estava disposta a pensar ou aceitar que gênero NÃO É sempre algo absoluto ou definido pelas características físicas com as quais nascemos. Mas vejam bem, NORMAL não quer dizer correto, pois quem tem que aceitar-se é a própria pessoa, cabendo aos outros respeitar aquilo que cada um é dentro de sua individualidade como ser humano. Portanto, mais do que na hora de eu, pelo menos, pensar sobre isso e de todo mundo parar de querer dar pitaco naquilo que os outros são.

    Mas, como muitas pessoas próximas que gostam de mim se interessaram por entender do que eu estava falando e pareceram meio confusas, resolvi dar mais uma pesquisada e explicar um pouco daquilo que aprendi sobre a trangeneridade e sobre mim mesma. Pois acho que eu, apesar de uma transgênero não-binária, prefiro ser chamada por pronomes femininos, não masculinos. Mas, também como alguém que se identifica atualmente como não-binária, não renego os pronomes masculinos e deixo, pelo menos por enquanto, a cargo dos outros a decisão de qual pronome usar, até por que, vivo com meus pais, e o meu pai especialmente está sendo difícil (ele, mas creio que também PARA ele) como sempre, e estou gradualmente efetuando as mudanças na minha vida que estão trazendo minha felicidade. Também tem o fato que eu mesma costumo referir a mim mesma com o pronome masculino na maior parte das vezes. Passei 36 anos, devido a diversos fatores, reprimindo meu gênero e as coisas até para mim mesma às vezes demoram a se adaptar. Mas confesso que quando usam o pronome feminino para me designar, apesar de minha aparência não ser necessariamente ou exclusivamente feminina, sinto um prazer secreto e especial. Bom, agora, deixou pelo menos de ser secreto.

    Quando digo que "passei 36 anos", é por que sempre me identifiquei muito mais com o gênero feminino, apesar de me portar como rapaz. O que sabia até então é que era gay e achava que isso fosse comum, mesmo quando descobri que não é necessariamente uma regra e que ser homossexual é uma definição de sexualidade, não influindo, necessariamente, na definição de gênero. Sempre tive mais amigas do que amigos. Apesar de que amigos íntimos tenho poucos, por motivos que pretendo explanar em postagens posteriores. Na verdade diria que sempre transitei e me relacionei mais e melhor com mulheres, não com homens, fossem eles héteros ou gays. Minha identificação com o sexo masculino sempre foi muito mais limitada do que a com a garotas em geral. Quando era criança, me lembro de observar e admirar, desejoso de poder experimentar também, diversos atributos que por muito tempo, ou dependendo da época, são considerados mais tipicamente femininos, como cabelos compridos, maquiagem , adereços como joias ou bijuterias e determinadas roupas. Quando muito pequeno o desejo de experimentar transbordava e me lembro de utilizar camisetas compridas com cintos na cintura dividindo-as, de forma a tentar configurar algum tipo de saia ou vestido curto, apesar de sempre evitar estar perto do meu pai nesses momentos, pois ele já havia me censurado por esse comportamento, ainda que hoje em dia ele diga não lembrar-se disso e que nunca dei nenhum aviso de ser transgênero ou ter essa fascinação e identificação pelo mundo feminino. Permitam-me rir aqui, pois eu me lembro de meu pai rasgando meus desenhos quando eu comecei a desenhar aos 2 anos e lá pelos 3 ou 4 anos tentava retratar princesas de vestidos FABULOSOS e príncipes ENCANTADOS que as salvariam de suas atribulações. Eu também, como ele mesmo conta, "não desenhava como menino e tinha algo de MUITO ERRADO na forma como eu desenhava" as casinhas detalhadas com janelinhas com cortininhas cor-de-rosa e vasos com minúsculas florezinhas coloridas e céus com nuvens fofas e sol com carinhas felizes, ao invés de desenhar carrinhos, naves e soldadinhos ou guerreiros como meus irmãos faziam. Eu até desenhei guerreiros, na verdade, quando mais velho, mas na verdade era normalmente um guerreiro encarregado de proteger um lindo, porém delicado e frágil, "príncipe", já que eu não podia ser princesa na minha imaginação, como já então era nas minhas mais secretas (ou não) fantasias internas. Assim fui crescendo e me reprimindo cada vez mais na questão de gênero, enquanto tentava a todo custo me encaixar na figura masculina que deveria, mas sempre falhando miseravelmente apesar de na maior parte do tempo me vestir com roupas de rapaz e algumas vezes de menino.

    Na adolescência, me assumi primeiramente como bissexual para meus parentes, e tenho que rir aqui pois, na verdade, minha única namorada de verdade foi quando tive 9 anos e apesar de nos beijarmos no sofá da casa dela, meu momento preferido, não por culpa dela, que era linda e uma querida, (lembremos que ambos eramos crianças) era quando íamos brincar com suas Barbies e apesar de ela querer que eu fosse o Ken, minha "namorada" generosamente me emprestava a Barbie noiva, ou a Barbie grávida (lembram, a que tinha um bebê na barriga postiça que podia ser retirado de lá) para que eu pudesse me sentir mais feliz na brincadeira. Isso durou um ano e lembro-me que a mãe e a vó dela me adoravam, e todos os dias me davam um lanche sempre muito aguardado e que nunca implicava em nenhuma cobrança, pessoas generosas que eram, permitindo-me viver coisas que talvez eu não pudesse viver em nenhum outro lugar além daquele. E a verdade é que na época de minha adolescência eu me assumia para mim mesmo e para minhas amigas como gay, não como bissexual, tendo sido isso apenas um subterfúgio por medo da reação de meus pais, principalmente da de meu pai. Até fiquei com algumas meninas, no início de minha adolescência, mas, na verdade, ainda que eu admirasse suas belezas físicas ou apreciasse suas companhias, quando não estávamos tendo que nos beijar, foi por uma parcela muito pequena de experimentação e na maior parte por ter cedido às pressões sociais, infelizmente, para mim e para elas, pois inevitavelmente, se havia algum tipo de sentimento mais sério por parte delas, ambos sofríamos. Mas também não foram muitas e na maior parte das vezes eu procurava, dentro do possível para um adolescente na minha situação, preservá-las de sofrimentos maiores.

    Então, quando "me assumi bissexual" houve uma grande rejeição de meu pai que, desde que eu era muito novo, mantinha enorme afastamento sentimental de mim e com quem eu tinha muitos conflitos por conta disso há um longo período. Ele, na maioria do tempo, esteve presente apenas como o provedor da casa em relação a mim e realmente me forneceu o necessário para minha sobrevivência e às vezes um ou outro supérfluo ou presente. Era certa sua quase total ausência na área afetiva e suas posturas e atitudes extremamente brutas e ignorantes, quando era chamado a esse papel. Ele estava presente fisicamente, algumas vezes, porém mais como uma figura de julgamento e condenação, não como um pai de verdade. Eu tinha apenas um 3 em 1, um banco, com todas as posturas unilaterais e "desinteressadas" (Faça-me rir) de um banco, uma espécie de "rígida" polícia da "moral e bom costumes" e por fim um juiz parcial, preconceituoso e quase sempre intransigente. Só que isso tudo cobrou de mim um preço muito alto na construção da minha inteligência emocional e de muitos outros setores da minha vida. Eu FIZ terapia desde os 6 anos de idade, mas não tem 1 ou 2 horas de terapia por semana que substituam a presença AMOROSA E AFETIVA de um pai na formação de uma criança ou adolescente. Hoje entendo um pouco de suas limitações, MAS isso não muda a realidade que vivi também e que, assim como a DELE, o levou a agir da forma que agiu comigo, levando-me a enfrentar inúmeras coisas que talvez não tivesse que ter enfrentado de outra forma.

    E esses foram alguns dos motivos que me fizeram levar 36 longos anos para sair da prisão de medo, repressão e preconceitos imputados a mim e assumir minha transgeneridade. E como podem ver ainda uso o gênero masculino para referir-me a mim mesmo, principalmente quando estou lidando com meu passado, pois querendo ou não durante muitos anos assumi o papel de um menino. Não de um homem, vejam bem, mas de um menino, um menino forte, possuidor de beleza, sensibilidade, mas também justamente por isso, de muitas falhas e fragilidades que o levaram a errar e cair algumas vezes no caminho. Que se recusava a crescer, pois se crescesse e se tornasse um homem, estaria se mutilando, amputando de si talvez a parte mais bonita que possuia e de onde se originava e ainda origina a maior parte da força para ter conseguido sobrevir por esses 36 anos: A mulher que há em mim. 

    O menino no momento ainda existe e passou por muita coisa, porém no momento, quem está desabrochando, como uma flor às vezes consegue surgir em meio à adversidade e dar sua beleza para o mundo em um momento tão difícil, mas também tão lindo, como está sendo esse na minha vida, é essa mulher tão bela e resiliente, como algumas vezes certas flores de rara força o são.

    E é essa mulher que eu hoje celebro, e esse menino também, que foi tão necessário na minha jornada e que me mantiveram vivo até agora, tendo conseguido transpor todos obstáculos e dificuldades que acabei encontrando nesse mundo muitas vezes tão árido e sem cor em que vivemos.

        Porém agora cansei de escrever e creio já ter escrito o suficiente para uma postagem, por isso fico por aqui, me despedindo e avisando que pretendo voltar ao assunto numa próxima postagem para tentar explicar um pouco sobre minhas descobertas relativas a classificação de transgênero, não-binário, se é que não-binário é a classificação correta definitiva, pois estou em processo de descobertas e não estou fechando questão sobre assuntos referentes a gênero, exceto na parte da trangeneridade. Essa é uma certeza, que só tive a coragem e compreensão para aceitar agora, mas que Graças à Deusa, a Deus e a minha força, estou aqui para aceitar e lutar por ela. Por quem sou na minha essência mais profunda, forte, bela e resiliente. Beijos aos que lerem.

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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Irônico

É tão estranho. Se bem que sim, é estranho, mas acredito que talvez irônico seja uma palavra melhor. É incrivelmente irônico que tenha tanta gente com doenças que atacam o aspecto físico, sejam terminais, crônicas, algumas extremamente debilitantes, outras autoimunes, pessoas buscando por aí ou se submetendo a tratamentos para continuarem vivos, gente lutando com todas as forças, resistindo, se negando a deixar que as limitações que a vida impõe a elas impeçam que tenham uma vida normal. Gente que muitas vezes, independente de do quanto lutaram, tem que encarar e aceitar a morte.
E que, enquanto isso, tenha eu. Alguém que mais de uma vez buscou a morte, que mais de uma vez uma vez desistiu de tudo. Que mais de uma vez tomou overdoses ou então grande quantidades de medicamentos, e que a morte rejeitou uma, e outra e outra e outra e outra e outra vez. De acordo com os cálculos dos meus pais foram seis vezes. Eu, para ser sincero, já nem lembro mais quantas foram. Talvez por ter feito sessões de ECT que me deixaram lacunas horríveis em minhas memórias, ainda que, lentamente, esteja tudo me voltando agora, que nem diz na música da Celine Dion. Mas, na realidade nem tudo está voltando. Nem todas lembranças voltam com todos os contornos definidos. Algumas lacunas permanecem, ainda que eu não saiba por quais critérios são escolhidas as que ficam comigo e as que vão para o limbo do esquecimento. Ou se as que vão, voltarão algum dia.
E a verdade é que não existe esse motivo plausível para que os outros compreendam, essa razão concreta para eu querer tanta assim morrer. Há GATILHOS, mas não uma verdadeira motivação que eles considerem palpável, crível. Óbvio que o sofrimento existe, mas ele existe também para tantas outras pessoas... E, já que meu sofrimento em si é uma doença, ainda que invisível aos olhos, ela só se manifesta fisicamente quando eu provoco essa manifestação. Quando eu me corto ou tomo uma quantidade absurda de remédios, e observo, como se o mundo estivesse em câmera lenta, o sofrimento nos olhos de outras pessoas por quê, naquele instante, ela realmente veem meu sofrimento. Ele está estampado em mim e eles não tem como negar que há algo de errado.
Claro que sempre tem aqueles que desejam que eu tivesse conseguido meu objetivo com a overdose, ou que os cortes tivessem sido mais fundos ou no sentido certo para que eu sangrasse até morrer.
Eles não entendem. São demasiadamente obtusos. Existe dentro mim mais de uma entidade: Existe a que está aparentemente sob controle, ainda que seja “só por hoje”, que é a dependência química; Tem também e doença que mencionei antes, que me faz querer morrer, querer desistir de tudo, me machucar, sumir, deixar de existir completamente, tudo para acabar com o sofrimento, o mesmo sofrimento que citei, que os outros não veem ou entendem; E, por fim, tem eu, que lutei boa parte da minha vida contra a primeira, e praticamente a vida inteira contra a outra.
Uma luta extramente inglória e ingrata, pois quando venço essa luta, acham não fiz mais do que minha obrigação em continuar vivo. E nas vezes que o sofrimento chega a um nível insuportável, e acabo sendo nocauteado pela doença, desistindo, me deixando guiar por ela e me machucando mais do que apenas emocionalmente, as pessoas me julgam e condenam. Se eu morresse, diriam que fui fraco. Mas como mais uma vez sobrevivi, por eu seguir vivo, dizem que sou sem vergonha, vagabundo, manipulador, fraco, também, e que eu não queria morrer. Estão certos, em parte. EU não quero, mas as outras entidades que povoam meu interior, pensam diferente. A dor, a vergonha, minha autoestima destruída por todos os anos de ódio gratuito que jogaram, impuseram, enfiaram em mim, e também minha herança genética, pensam diferente. Sei que deveria me fortalecer com todos esses anos de ódio, exclusão, humilhações, e torturas psicológicas, e me fortaleço, mas não cheguei a um nível onde joguem pedras em mim e não sinta a dor. Cada uma delas me atingem e sinto onde me atingiram, e sangro. Sim, eu tento fugir, mas aqueles que jogam as pedras estão em um círculo em torno de mim. Portanto, acabo, mesmo que não queira morrer, deixando que a doença guie minhas mãos, as quais pegam os remédios em um punhado, depois enchem um copo de água para eu beber e continue, punhado após punhado, até não haver mais nenhum. Até chegar ao nível tóxico. Depois fique uma quase uma hora chorando na escuridão, temendo a chegada do Anjo Negro que irá me levar uma escuridão maior ainda, rezando a Deus para que Deus, ou outro lado, ou céu, ou inferno, para que nada disso exista. Que eu apenas me desfaça lentamente até não haver mais nada de dor, de medo, de ódio, de sofrimento. Até não haver mais nada de mim para ser julgado pelo mundo.
Mas não é irônico? EU fiquei aqui, mais uma vez, aparentemente sem sequelas, enquanto pessoas com doenças que destroem seus corpos, pessoas que lutam contra com todas as forças para ficar, que se agarram à vida com tudo que tem, acabam perecendo, sem chance, sem possibilidade de que os esforços delas resultassem em algo. Talvez, se eu tentasse de novo, não fosse assim. Mas não é o que eu quero. TEM QUE HAVER UM SENTIDO. Tem que haver um PODER SUPERIOR. Seja Deus, Deusa ou que nome as pessoas derem a ele. Tem que haver algum sentido para tantos partirem e eu estar aqui.
A verdade é que após cerca de quarenta minuto minutos sentado no sofá, no escuro, tentei pesquisar no Google para confirmar que a dose de medicamentos que tomei era letal ou tóxica, enfim, se ia me matar. Eu sabia que era, mas havia algo de errado. Eu estava vivo. Para minha surpresa, quando fiz a pesquisa, obtive o resultados, mas apareceu no topo da página, um telefone, o 188, Centro de Valorização da Vida. E o meu eu saudável, desesperado com o que meu eu doente havia feito, ligou e pediu ajuda, tendo sido salvo por um anjo em forma humana, com quem provavelmente jamais falarei novamente, mas que me escutou, não me julgou, me orientou e que depois de me conduzir de volta ao mundo dos vivos que querem viver, com sua delicadeza, empatia e sensibilidade, me orientou como proceder para não acabar morrendo. E continuou a me ouvir, me sondando sobre a quem eu podia recorrer, até que no fim resolvemos o que fazer e liguei para a pessoa que foi na minha casa e me levou ao Pronto Socorro, onde fiquei por sete dias.
Faz oito dias que saí de lá e só consigo até agora ver a ironia de tudo isso. O sentido ainda não está claro. Não sei se um dia estará. Mas quero buscá-lo. Tem que haver um, ainda que talvez eu só o conheça quando partir desse mundo. Sim, falo de quando eu morrer. Não é o que quero agora. Morrer. Quem sabe um dia, provavelmente, mas, se tudo der certo, não será por minhas próprias mãos.

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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Peso Morto


EU sou um peso. Um peso morto. É como eu me sinto em relação a vida. MORTO. E um peso.  

Nada realmente tem sentido. Nunca teve para mim.  Talvez por isso tenha tentado sempre fugir dela a todo custo. Seja por meio das drogas ou tentando suicidar-me.  
Não posso aguentar mais ECTs. Não posso mais esquecer e viver a vida como um bobo alegre. Mas também não aguento conviver com os sintomas e as implicações da minha doença. Ou com a verdade, pois não sei mais o que é o que. Tudo parece a mesma merda. Realidade se mistura com mentiras que minha mente me conta. Isso, caso sejam mentiras. Elas fazem eu ter vontade de machucar as outras pessoas e,  como eu não posso, não consigo fazer isso, ela faz como que eu resolva me machucar.
Como poderia eu me defender de mim mesmo. Quem ia lutar contra quem. Pois sou um só. A doença já faz parte de mim. A doença é o que eu sou. 
As pessoas, principalmente meu pai, perguntam por que pinto mais quadros sombrios, do que alegres. É por que pinto sobre minha vida. E minha vida é a doença. Ainda que esteja um sol lindo brilhante, e eu esteja sorrindo, num lindo jardim, com lindas flores coloridas e arbustos, e um lindo gramado e lindas e frondosas árvores com folhas de um lindo e vivo verde, isso é por fora. O sol ilumina minha superfície, mas por dentro, só há sombras. As sombras estão sempre dentro de mim. E minha única chance, é colocá-las para fora na minha arte. Só assim permanecerei vivo. Só assim, elas não irão vencer. Ainda que não seja o que parece quando o quadro está pronto, ele evita que a escuridão se propague ainda mais. Que eu seja completamente consumido por ela. Minhas obras, principalmente as escuras e sombrias e tétricas, geram a única luz que consegue iluminar o que carrego dentro de mim. Iluminar os recônditos escuros da minha alma.
Digo que sou um peso, pelo fato bem simples de eu não ter estabilidade ou constância para me sustentar e gerir minha vida. Preciso ficar dependendo de outras pessoas. Sim, eu sei que todos de um forma ou outra dependemos de outras pessoas, mas falo de depender completamente. Se meu pais morressem hoje, eu estaria completamente desamparado. Talvez meu irmão mais novo tentasse me ajudar, só que isso seria mais humilhantes ainda do que depender dos meus pais. Tem gente que me acha um sem vergonha, bem, que não se preocupem, eu sinto vergonha, apenas não costumo externá-la. Seria dar munição ao inimigo. Que inimigo? O mundo. A sociedade. 
Como disse sou um peso. Um peso morto. Também chamado por outros nomes, presente em tantas frases do meu pai, que eu finjo não saber que serem direcionadas a mim, assim como ele finge não se referirem a mim: Vagabundo. Marginal. 
Ou outras palavras que vejo formarem-se no olhar de tantas outras pessoas, ao falarem comigo: Retardado. Louco. Maluco.
Mas me chamo de algo diferente.
UM PESO.
Um peso, como vai acontecer com todo mundo um dia, MORTO.
Só que no meu caso é em VIDA. Até eu resolver aliviá-los.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Silêncio



Lá, ou  pouco depois de lá.
Após tudo que enfrentamos aqui.
Quando finalmente chegamos
Ou achamos ter chegado ao fim

Costumamos (fingir) pensar haver um paraíso
para onde iremos,
Quando pensamos que acabará
nossa cegueira habitual.

Realmente enxergamos, mas
Só há breu
Ausência de luz.
Há apenas escuridão.
O negror de nada ver.

E nos perdemos em nossas palavras.
Pois as pronunciamos mas nada sai.
Apenas nossa mudez, que preenche
todo o vazio invisível  ao nosso redor.

Onde não  há a surdez, mas mesmo assim
não ouvimos, pois não há o que ouvir.

Onde há apenas o Além.
Onde há apenas a escuridão.
Onde há apenas o silêncio inquebrantável.
O Silencio ensurdecedor.
Que causa tamanho desespero que pedimos,
em silêncio
Sem nem mesmo nossos pensamentos ouvir
Para escutar algo, qualquer coisa.
Não importa o que

E então surge aquela vozinha,
A lhe sussurar no ouvido,
Coisas que só você consegue distinguir
E entender.

E se você acusar que ela está ali
A sua solidão, a incompreensão e ignorância alheia,
O pacto, está tudo selado.
Pois você está no além.
Além da razão.
E o que você ouve, é a insanidade.
O que você ouve é sua nova melhor amiga.
O que você ouve
É a loucura


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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Medo da Escuridão



Sempre tive medo, não, medo é pouco. Sempre tive pavor da ESCURIDÃO. Assim mesmo, em maiúsculas. Creio que temia por quê, de alguma forma, sabia de antemão que seria engolido por ela. Que ia afundar num lodaçal até sumir na ausência de luz. Que os fantasmas e demônios que a habitam iriam me escravizar, torturar e corromper. Que iriam me enlouquecer e que, se é que isso era possível, deixariam (e deixaram) a escuridão mais negra, sombria, violenta e sádica do que nunca. Que, a partir de então, meu mundo não teria mais cor, brilho ou luz. E o mundo que me sobraria seria feito de paranóia, tristeza, dor e medo.

E lembranças. De tudo que sofri e que só quem sofreu também consegue entender. Os abusos ininterruptos que vivi, até eu me achar um lixo. Até eu realmente achar que valia menos do que nada, que não valia porra nenhuma e começar meu processo de auto-destruição. Algo que quase consegui.

Alguma coisas consegui destruir:

  • Minha crença na bondade humana;

  • Parte do meu amor próprio, da minha auto-estima;

  • A confiança nos homens;

  • A confiança nos meu pais;

  • A confiança no mundo;

  • O Bom funcionamento da minha mente;

E por último, mas não menos importante, MEU SONHOS.

Hoje tenho que lutar contra a loucura, para não ser completamente engolido por ela. Para dar ouvidos aos pensamentos sensatos, não à paranóia.

Eu achava que o tratamento que estou fazendo agora, o ECT, me ajudaria a voltar à luz. Mas descobri que ele apenas tenta me ensinar a enxergar no escuro. Mas sou engolfado pelo desespero ao perceber que até isso exige uma força enorme, que já eu tive, antes de a vida me corromper, mas que agora acho que não tenho mais.

E percebo que morro lenta e dolorosamente, o que me causa a dúvida se não seria mais misericordioso comigo mesmo, morrer tudo de uma vez só. Acabar com todos os sofrimentos, ao invés de ser obrigado a saboreá-lo gradualmente.



Partir.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Déjà Vu (Repetindo Minha Vida)



E minha velha e boa ideação suicida, está de volta. Agora, após os 12 ECTS, achei que não ia sentir nada negativo, ou pelo menos que iam diminuir meus sentimentos depressivos, minha angústia, minha ansiedade, minha insegurança e minhas paranóias. Ou melhor, que iam diminuir os sentimentos depressivos, a angústia, a ansiedade, a insegurança e as paranoias. Pois não quero que elas sejam minhas. Quero que elas não me pertençam mais. E, como disse, achei que iam diminuir. Mas agora parecem estar de volta.

Tenho tido muitos “déjà vu”. E começo, depois da repetição de acontecimentos e situações ficarem muito comuns, a duvidar de que sejam realmente “déjà vu”. Começo a pensar que estou realmente revivendo acontecimentos. Que de alguma forma voltei ao passado e que estou repetindo coisas que já vivi.

Idéias aparentemente insanas pipocam na minha cabeça. E se o ECT de alguma forma faz com que voltemos no tempo? Mas daí meu raciocínio lógico pensa: Então eu não lembraria de ter feito os ECTs.

Mas a ideia mais forte é a de que minha família está em um complô contra mim, por algum motivo. Talvez por me acharem vagabundo. Talvez para fazer eu me tornar mais resistente às frustrações, paranóias, tristezas e por aí vai, então eles criam novas para me testar. Só que todos esses pensamentos me fazem pensar que eles são meus inimigos, e fico sem saber em quem acreditar.

Me dá uma imensa vontade de chorar, um desespero de não saber se posso confiar em alguém. Se devo pegar alguém, como meu irmão, que acho que não faria isso comigo, por exemplo, para perguntar sobre se alguém tentou fazer ele participar dessa farsa.



Por fim, como é de se esperar de mim, me dá vontade de acabar com tudo. De tomar uma nova overdose de remédios, ou pular de um prédio, ou dar qualquer jeito de acabar com todas essas loucuras e insanidades que ameaçam engolfar meu cérebro. Penso então que o melhor meio, é deixar de existir totalmente. Ir embora dessa porra de mundo desgraçado.
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sábado, 1 de outubro de 2016

Velhice (Pelo Que Viver?)

Pelo que viver? Por que motivo devemos continuar, se na maioria das vezes há tanta escuridão no futuro? Se o FIM é quase sempre tão escuro, sombrio e ingrato.

Minha avó, tinha tudo. E batalhou e trabalhou muito, assim como meu avô, para ter tudo que tinha. Ela é poeta. Alguém que, mesmo sem entender direito meus escritos que, na minha adolescência, eram de certa forma tétricos e lúgubres, sempre me estimulou a continuar escrevendo, seja lá o que fosse. Mas como eu dizia, ela tinha tudo, mas hoje, por ter chegado aos 92 anos, tem quase nada em comparação com antes. Hoje, como diria a Dido, na música Life for Rent, nada do que ela tem é realmente dela. Até o final do ano passado, ela tinha o maior de todos os bens, alguém que a amava incondicionalmente. Meu Avô. Mas ele sucumbiu. Morreu no final do ano passado. E ela ficou sozinha nesse mundo. Tem uma casa enorme, um bom carro, muitos bens, mas sem poder usufruir, inclusive dessa casa onde não pode morar pelo fato de casa ser enorme, por não poder mais ficar sozinha, enfim, pelo fato de ter chegado ao 92 anos.

Tentei o suicídio no dia 20 de setembro. Estarei eu realmente tão errado por isso?

Estou de volta, temporariamente a casa de meus pais, pelo menos até terminar as 4 semanas de ECT. A casa dos meus pais é de dois quartos, então, temporariamente, estou nesse quarto, que é onde minha avó mora atualmente. Onde nada que ela ela tem é realmente dela, e quando nada do que é realmente dela, ela realmente TEM. Eu entendo por que ela queira dormir o dia inteiro. Do por que fica deprimida. Não é por ela ela estar cansada. É por estar limitada pelo físico. Pois mesmo com seu cérebro falhando um pouco, mesmo ouvindo muito pouco, ainda há nela a poeta que quer ver o lado bonito da vida e criar odes a ele. Que quer ter sua própria vida e tocar de novo o amor palpável que existia, e acho que existe ainda, entre ela e meu avô. É sentir a presença e não só espiritual do meu avô.

Então hoje, acordei muito cedo e vi ela deitada tão pequenina em sua ancienidade, tão fragil em sua velhice, e entendi por que, apesar da casa ser da mãe, minha avó tenta dar ordens aqui também. Pela primeria vez consegui REALMENTE, colocar-me no lugar dela. Ontem enquanto tirava da mesa, após o jantar, disse a ela que não precisava listar o que devo tirar ou não da mesa, já que eu já fizera isso muitas vezes. Disse isso, mesmo que sem falar de forma agressiva, por que fiquei irritado. Mas agora entendo. Aí está ela, frágil e não mais realmente dona da sua vida. Não mais realmente dona de nada. Seu dinheiro, ela guarda. Usa uma parte nas depesas, como uma ajuda a minha mãe já que mora aqui agora. O resto, ela guarda. Para que, eu não sei. Minha mãe quer que ela contrate uma cuidadora, já que isso seria realmente importante para o bem estar da minha avó na sua atual idade. E talvez seja esse o problema todo. Talvez, ela guarde dinheiro, para não aceitar sua idade. Acumula, que foi o que fez durante grande parte da vida, para acreditar que tudo continua igual. Que existira um amanhã, mesmo nesse momento em que tudo é ainda tão incerto.
Então me vem a dúvida. PELO QUE NÓS VIVEMOS? E o que realmente possuímos? A única resposta que me ocorre, é que vivemos pelo amor verdadeiro. Pois o resto não é eterno. E sabendo disso, finalmente entendo a frase da música da Dido:
“Nothing I have is truly mine.”


Mas, para ser completamente honesto, não entendo é nada. Apenas sou alguém que tento encontrar algum sentido nessa mixórdia toda chamada vida. Alguma razão. Algum motivo para continuar vivendo. Para não dar um fim a tudo. Para lutar. Para não ceder à minha estupidez chamada de loucura. E, principalmente á forte companheira que vive comigo faz tantos anos: A Ideação Suicida.
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domingo, 25 de setembro de 2016

É A Sensação



É sensação de ser vitorioso.

De que todo mundo que poderia atrapalhar está longe ou tranquilo em relação a mim.

De que se eu tomar aquelas duas caixas de Rivotril, em casa, sozinho, ninguém vai me impedir.

De que ninguém vai me juntar do chão caso eu caia, que poderei me afogar no vômito, se vomitar, e ninguém vai impedir.

É a sensação de ter coragem, e sangue frio.

De ter tomado pela primeira vez na vida uma decisão de verdade e de ir com ela até o fim.

É sensação de que as vozes e risadas de escárnio vão parar.

É a sensação de que a dor e a culpa pelo fato de estar vivo vai cessar de existir.

É a sensação do zumbido de uma mosquinha dizendo que se tudo isso é verdade, por que não tomei junto com as duas caixas de Rivotril, todos os meus remédios da semana que pegara, naquele mesmo dia, com meu pais.

...covarde. Covarde. COVARDE.

É a sensação de que a própria ideação suicida, é covardia.


Uma espécie banal e medíocre de rebeldia. Uma preguiça de lutar. Sim, sou vagabundo assim como sempre disseram. Tenho PREGUIÇA PATOLÓGICA DE LUTAR.

Mas tenho um motivo. Nada nunca é o suficiente. Talvez hoje em dia, seja o suficiente para vocês e vocês achem que com o tempo irei evoluir. Mas para mim não é o suficiente. E meu cérebro, que comando isso tudo, me manda esses sinais o tempo todo. Não de que não sou capaz, mas de que sou, mas sou um vagabundo, marginal, (palavras tiradas do repértorio do meu pai) ridículo, cômico, digno de riso e escárnio e por isso não conquisto porra nenhuma.


É a sensação de que nada que faço, tem algum valor. Seja uma música, seja um texto, um livro, um desenho ou uma pintura.


É a sensação de ser um traste imprestável. Eu luto, luto, luto contra tudo isso e quem me vê, acredita que tenho um super auto-estima. Só que feita do mais fino vidro que você podem imaginar. E uma risada, ou palavra, ou crítica, mesmo que seja na casa do vizinho, mesmo que meu ouvido não distingua o que dizem, meu cérebro se encarrega de interpretá-las e reduzir minha auto-estima ao pedaços. Não vou entrar nos porquês. Eles não importam mais.



A questão é que mais uma vez fiz uma roleta russa. Depois de tomar os remédios, dormir desde terça-feira de tarde até quarta-feira de tarde. Fui acordado, pelo telefonema da minha mãe. Pela milésima vez ela me deu a vida. Claro, não sei se acabaria morrendo caso não tivesse havido a ligação. Não sou médico. Abaixo um trecho da carta que tentei escrever quando tomei os medicamentos. Uma parte acho q que meu cachorro comeu. Da carta, não dos medicamentos.

Tadinhos, quando tomei a superdose ambos vieram ficar do meu lado.  Minha linda gata branca Lana e meu cachorro mesclado Toddy. EU disse a eles e sabia que iam cuidar deles, mesmo que sentissem minha falta. Mas confesso que não pensei muito nisso quando fiz a tentativa. Egoísmo. Suicídio é a maior mistura de egoísmo e altruísmo que existe. Egoísmo por que queremos acabar com a NOSSA dor, trabalho e sofrimento. Altruísmo por que vamos, de uma vez por todas, parar de dar dor, trabalho e sofrimento para a as outras pessoas. Mas vamos lá.



“A CARTA:

Um Fim


Desculpem.


DESCULPA, PERDÃO



Mas nunca fui muito bom em queda de braço. Está certo, vocês venceram. Eu, na verdade nunca quis realmente lutar. Só ser salvo. Queria apenas encontrar um príncipe que me levaria em seu cavalo para o felizes para sempre. A vida não é assim. Hoje eu sei que o felizes para sempre não existem. É algo que depende de nós. |É uma luta diária. Ou talvez apenas algo inventando para as pessoas conseguirem seguir em frente vivendo. A questão é que não sei lutar. Falta em mim algum componente essencial.

Talvez seja realmente um vagabundo marginal como dizem tanto. Riam bastante agora. Sou um palhaço e no velório do palhaço, esperam-se risos.

Desculpem se não correspondo as expectativas que você tem, tinham ou tiveram para mim. Estou destroçado. Caindo aos pedaços.

Minha suposta “genialidade e talento”, são apenas manifestações dos pedaços de sentimento sem frangalhos restantes, que tenho pela vida e pelas pessoas.

Desconfiança é uma das palavras mais feias que existem para usar com um amigo, mas…”



E essa foi a carta.

Creio que não tive o resto de energia, nem capacidade para terminá-la, pois já tomara todos os remédios.

Havia nela um setor de agradecimentos, mas foi comido pelo Toddy.

P.S.: Apesar de tudo que escrevi, obviamente estou vivo. Feliz ou infelizmente. Mas já que estou aqui, beijos aos que lerem.
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domingo, 11 de setembro de 2016

E Se Eu Dissesse Que Eu Aceito


Música que escrevi em homenagem a todos os babacas ignorantes e pretensiosos que acham que podem julgar e dizer como deve ou não deve ou pensar e agir uma pessoa que tem qualquer tipo de doença crônica, principalmente portadoras de transtornos psiquiátricos.

Para pessoas que pensam que todos tem que ter a mesma reação ao bullying na infância, adolescência e até na vida adulta. Como se todos fossemos iguais, seja na sensibilidade, fragilidade ou qualquer outra característica que vão ditar o que essa violência e abuso psicológico vai causar na vida do jovem perseguido. Quando escrevi a letra, na sexta-feira (09/09/2016), pensava na breve relação apenas virtual que tive com um carinha que na sexta mostrou o idiota e preconceituoso, além de ignorante, que realmente era. Só faltou ele dizer que doença mental e que transtornos psiquiátricos, são frescuras. Querido, Google pra você. Faz uma pesquisa de doença mental, bipolaridade, incapacitação e morte. Tu nem imagina, vai descobrir que existe um percentual enorme de morte por doenças que NÃO EXISTEM! 

Só dou graças a Deus por ter descoberto a tempo tua forma de pensar. Muito fácil dizer as coisas que tu disse, não tendo doença crônica nenhuma. E mesmo que tivesse, tu não teria direito de julgar, já que tu não é eu e não viveu as mesmas coisas que vivi, e o principal,sendo eu. Moral da história, todo mundo é diferente. E em relação a eu estar te julgando, quando te chamo de babaca, ignorante, pretensioso idiota e preconceituoso, é por que, ao me julgar, tu me deu direito de te julgar também.

Mas em relação a letra, também tive, na verdade a maior parte dela, inspiração de alguns relacionamentos abusivos que tive no passado. Graças a Deus agora sou livre . E dedico, agora falando sério, a todas pessoas que já passaram por um relacionamento abusivo e conseguiram se libertar. E esse carinha que conheci, vai em paz, fuma tua maconha, teu cigarro e que Deus te acompanhe. Outra relação abusiva, ou de co-dependência não, obrigado, de nada, beijos aos que lerem (e que ouvirem minha música).




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domingo, 4 de setembro de 2016

A Feira (Cura da Solidão)




Estou me sentindo triste e decepcionado.

Conheci um carinha no BADOO, um aplicativo de relacionamentos, para namoro e pegação. Hoje em dia é mais difícil de encontrar aplicativos só para namoros que tenha algum movimento, não apenas aquelas bolas de poeira do deserto. Pelo menos nos que experimentei. Ou então , mesmo sendo direcionado para namoro, você conhece o cara e a primeira coisa que ele faz é mostrar a foto do pau. Portanto uso esse aplicativo, Badoo, que é diversificado.

Mas daí, esse cara me deu “oi” nesse site de relacionamentos.. A partir daí começamos a conversar e, eu confesso, me empolguei muito mesmo. De verdade e com aquilo que pareciam bons motivos. Ele é um doce. Alto (quase minha altura), Tem a lot de pêlos nos peito (vi pela abertura da camisa dele, é divertido, tendo me feito rir o tempo inteiro desde que o conheci. Quinta feira de noite cheguei a incomodar os vizinhos, pois ri até a hora de dormir. E eu adoro rir, aquele riso genuíno e sem esforço, e isso me deixou muito feliz e ENCANTADO.

Além dele ser bonito e divertido, ele também é artista plástico, com objetivo de cursar artes na universidade federal! Trabalha como gerente numa loja de bebês (own) e, ainda que não o conheça pessoalmente, enxerguei nele (pode estar apenas nos meus olhos e percepção a coisa toda) um sorriso, calor humano, instinto protetor e uma sensação de que estarei em segurança, tudo isso num hard level filho da puta.

Só hoje, sábado, véspera do dia que iamos nos encontrar, após dois dias conversando, íamos combinar a saída. E é claro que imaginei que ficariamos, já que ele também demonstrou com palavras e atitudes, inclusive antes de mim, que também sentia isso, que era recíproco (seria isso aqueles joguinhos babacas que muitos caras fazem?). Ontem a noite cheguei a narrar um “conto erótico” para ele, pelo telefone, para vocês terem idéia. E sabe, talvez seja isso que tenha feito ele mudar a visão de mim, mesmo que injustamente. Digamos que mesmo ele tendo me dito o contrário, ele sente que eu me desvalorizei fazendo o que fiz.

Pois chego a conclusão, depois do que ele me disse hoje, que é tudo um grande mercado, uma Feira.

Não é hipocrisia o fato de eu falar isso, apesar de eu já ter agido conforme esse padrão, pois eu não sinto mais dessa forma e creio que agora enxergo de verdade como é essa coisa de “ficar sem compromisso ou exclusividade”. Sabe? Tu fica comigo, e quando não estamos perto eu fico com outro e cada um fica com quem quiser. 

É como se todos fossem degustadores e degustação ao mesmo tempo. E vão de banca em banca dessa imensa feira humana, degustando, cuspindo o que não lhes agradou, provando pela segunda vez algo que acharam gostosinho (mas não o suficiente para comprar), esperando um dia encontrar aquilo que se quer ter disponível para degustar o resto da vida. Ou até mudar de paladar e preferir procurar algum "produto" mais fresco, novo. 

O que me deixa realmente chateado, é saber que para essa pessoa, que não aceita estar só comigo durante o período que ficaríamos, eu não valho recusar por alguns dias, beijos ou trepadas com outras pessoas.

Algo em mim, sinaliza para ele, que me conhecer, ficar comigo não vale a pena, não vale o sacrificio de abdicar de alguns dias ficando com mais gente.

Mas bom, se eu não valho o sacrifício, fico pensando o que esse texto, principalmente a última parte, e a atitude dele fala sobre ele. O que será que ele vale nesse imenso Mercado de gente em busca (HAHAHAHAAHAHAHHA, faça-me rir) da “CURA” da solidão.

As pessoas reclamam de serem tratadas como apenas mais um pedaço de carne, mas quando encontram alguém que vai na contramão dessa tendência, o que elas fazem? Como elas tratam esse alguém, senão perpetuando o mesmo sistema podre em voga. Triste.

Beijos aos lerem. E quem quiser comenta aí. ^-^
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Desvanecendo (O Olhar Que Perdi)



Mexendo nos meus cadernos achei esse poema, que escrevi no auge do meu período de drogadição. Dei uma boa polida nele e aí vai:



Desvanecendo (O Olhar Que Perdi)


Meu mundo descontruo lentamente
Pela ambição de vê-lo
Com olhar de criança
Que jamais será meu novamente


Sem dificuldade me desfaço
Das poucas coisas que me esforçando,
Contra tudo consegui,
Conquistar passo a passo


É mais fácil deixá-lo morrer
O mundo doente
Caminho para a luz
Da alma se desvanecer

Sem descanso, sempre a lutar
Olhos secos, olhar sóbrio
Tudo aquilo que não suporto
Que mais quero abandonar
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Postagem 50, 10.000 visualizações e Comentários (É tudo sobre Amor)



Gente, essa é minha postagem Nº 50. 

EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!

E semana passada eu cheguei ao incrível (ao menos para mim) número de 10.000 visitas no BLOG.

Estou encantado, mas, às vezes tenho dúvida se realmente tenho leitores ou se esse apenas é um desses site onde as pessoas caem, vêm do que se trata e dão o fora rapidinho. Digo isso por que uma dúvida me corrói: Por quê ninguém comenta, ué? O último comentário faz séculos. 

Então convido a quem quer que desejar fazer algum comentário, pergunta ou sugestão, que manisfeste-se e faça-o. Prometo não morder ninguém. Mesmo que ás vezes eu xingue alguém nas postagem, costumo ser educado com meus leitores. Ou pelo menos acho que era na época que comentavam ainda aqui no BLOG. Estou sentindo falta de ter essa interação com meus leitores (se vocês realmente existem). Não quer dizer que eu vá responder qualquer pergunta que fizerem. Tenhamos bom senso na hora fazê-las. Mas vou procurar fazer juz a atenção de vocês e responder tudo que me sentir confortável ou apto a fazê-lo.

Abaixo, para comemorar a postagem 50, coloco uma reflexão sobre a coisa que mais importa no mundo: AMOR. 
Escrevi essa reflexão após assistir ao filme Gia - Fama e Destruição. Espero que gostem. Beijos aos que lerem.


*************************************************************


É TUDO SOBRE AMOR


É tudo sobre Amor

É tudo sobre Início e Fim.

Tudo começa com Amor e termina com Amor

E entre o Início e o Fim, existe apenas o Perdão.

Que nada mais é do que Amor

Pois Amar é perdoar.

Amor é Perdão.

Só há um Fim se houver Amor

Só há um Começo se houver Amor

Portanto, é tudo a mesma coisa.

O Início e o Fim.

O Amor e o Perdão

O Começo e o Amor

O Final e o Perdão

O Começo e o Perdão.

O Final e o Amor

É tudo que precisamos saber.

Pois isso é Deus.

Deus é Amor

Amor é Perdão.

E isso é tudo que realmente temos.
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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Plano B (Segurança)




Mesmo que as vezes eu pense, diga, escreva que te odeio, ou aja como se isso fosse real, a verdade é que a maior parte de mim, te ama. O que estraga tudo é precisar e depender completamente de ti.

Aquele dia que eu falei que caso tu e a mãe morressem, “eu estaria fudido”, não quis ser e parecer mesquinho. Não estava pensando em herança ou coisa do gênero, muito menos desejando a morte de ninguém. Estava, na realidade, atestando o quão frágil é minha situação nesse mundo. O que me deixa me amedronta terrivelmente.

Em relação a meus sentimentos por ti, o que me deixa furioso é saber que, provavelmente, jamais vou corresponder ás tuas expectativas em relação a mim. E isso é horrível, pois já tenho experiência em não corresponder as expectativas das pessoas. Desde que me entendo por gente, pareço, dentre meus irmãos, primos, colegas de creche ou escolinha ou colégio, ser o que mais se afasta de encaixar-se nos moldes que tu, a mãe, e parece que a maioria dos adultos e o mundo desejavam que nos encaixássemos.

NOVIDADE: Isso não dói só em ti. Dói, talvez mais ainda, em mim.

Então me vejo hoje em dia nessa situação, onde eu sei que as probabilidades de corresponder ao que silenciosamente esperam de mim são quase nulas e as de que tu aceite isso e o fato de que tenho uma doença, atestada por diversos profissionais, que me impede de fazer muita coisa, também.

A raiva, a fúria que sinto, é por todos os motivos acima. É por saber que alguém que eu tanto busquei aprovação, ainda que soubesse não estar fazendo aquilo que esse alguém aprovasse, mesmo depois de todo esse tempo e (supostas) mudanças de ponto de vista, continua a me aprovar apenas parcialmente. Pois não aceita que tenho uma doença e, mesmo ele tendo possibilidade para tal, não me ajuda a pelo menos tentar criar uma rede de proteção para o caso de ele ou a mãe virem a faltar.

Ou seja, não existe um “Plano B”. Para falar a verdade, sequer existe um “Plano A”. Ao mesmo tempo que minha vida é estável, é uma bagunça no quesito segurança.

E que seja o que Deus quiser. Beijos ao que lerem.


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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Duplo (Dor que Corrói)



Pode ser que, as vezes, aquilo que preciso e/ou escolho e/ou peço para adquirir, não pareça essencial. Mas na maioria das vezes é. Em algumas delas ao meu trabalho, mesmo que esse trabalho não pareça verdadeiro e/ou importante e/ou sério e/ou relevante.

Mas ele é tudo isso. Mesmo que eu não tenha, por enquanto, nenhum retorno financeiro, ele é verdadeiro e importante e sério e relevante, para meu bem-estar, meu tratamento, meu coração e minha alma.

Ainda que me bem-estar, meu tratamento, meu coração, e minha alma, às vezes, não pareçam essenciais e/ou verdadeiros e/ou importantes e/ou sérios e/ou relevantes.

Mesmo que achem que sou um vagabundo, um marginal que apenas finge ter uma doença. Mesmo que eu pareça aquela Anjo Rebelde criança que finge estar doente para não ir à escola, entre ele e eu há um mundo de distância. A única coisa em comum, que permanece, é o medo, o horror, o desânimo e a desilusão com a vida. Ou talvez seja com o mundo. Quem sabe com ambos. Só que agora, depois de adulto, com as feridas do tempo, algumas cicatrizadas, outras não, podemos adicionar a revolta e o ódio. Falo desses sentimentos por que também foram semeados na infância. E muitos bem regados, pela intolerância, crueldade, preconceito, maldade e descuido de crianças e adultos que cruzaram meu caminho. As pessoas falam em lutar, como se eu fosse alguém que não fez isso, desde o jardim de infância. Pois lembro-me que desde de então já enfrentava o bullying, a rejeição, a incompreensão e a exclusão, e não só na escola.

É uma sorte eu estar vivo. Muitas crianças, adolescentes, de tanto ser espezinhados, primeiro tentando pedir ajuda, até um adulto lhe explicar o quanto seu comportamento de pedir ajuda é vergonhoso, e então, sem recorrer a mais ninguém, acabam continuando a ser pisados e humilhados até a morte. Até chegar o momento em que acreditam que realmente não valem nada, que são um lixo, que aqueles que os perseguem, são melhores e mais fortes e mais capazes do que eles. Crianças, adolescentes e adultos que escolhem a morte como suposto alívio. Como um jeito de dar um basta em tamanha degradação. Ou, ainda, livrar o mundo da imundície e inutilidade de suas presenças.

Me considero um sobrevivente.

Só que hoje em dia, o sentimento que predomina, é o medo do futuro. Não tenho nenhuma segurança. Quando digo que sou parcialmente incapaz, quero dizer que não sou suficientemente constante e resistente ao estresse, para ter um emprego fixo. Ou uma, profissão da qual DEPENDER. E que passarei fome novamente, enfeitando a situação, como se fosse uma dieta para fins estéticos.

Em vez disso posso tentar, como já quase fiz certa vez , a profissão mais antiga do mundo. Daquela vez não se concretizou. Pode ser que dessa tenha sucesso, por, em desespero, concluir que valho muito menos do que pensei naquela vez.

Provavelmente iria recair nas drogas, moraria nas ruas, sei lá, até morrer como indigente. Mais um cadáver anônimo para encher o necrotério.

Ninguém entende, ninguém traças paralelas para (ninguém quer) entender.

A dor constante que me acompanha, como um duplo, desde que me lembro de mim como ser humano, desde que tenho consciência de mim mesmo.

A dor que agora cria inimigos por todos os lados, até dentro da minha própria família, até na minha casa, solitária e vazia. Essa dor me limita.

Mas ter limitações não é algo tão diferentes das outras pessoas. Todos tem limitações. Algumas superáveis, outras não. Até por que cada indivíduo é um indivíduo. Nem sempre o que um consegue, o outro consegue também. Mesmo que sejam aparentemente iguais. Para cada pessoa existem obstáculos, uns que são transponíveis, para todas, alguns que são transponíveis para apenas alguns. E alguns que não são transponíveis para “aqueles alguns”, mas para os restantes, sim.

Infelizmente minha dor, meu duplo, não me permite ter um emprego/profissão/ofício que me sustente e dê segurança e estabilidade a longo prazo.

Essa dor, esse duplo, sussurra coisas em meus ouvidos. Ideias em meu cérebro, desconfianças em meu senso crítico, até conseguir que todos estejam contra mim e eu não suporte mais. Ela me distrai, confunde, amedronta, corrói, destrói.

Porra, é tão difícil de entender, que fica quase impossível fazer certas coisas, enquanto você é distraído, confundido, amedrontado, destruído e corroído por dentro? E, para aquelas pessoas que pensam ou falam “Mas tu consegue ouvir música, ver TV.”:

Deixem de ser burros. Não façam leitura seletiva. Leiam o texto todo e entenderão. E só para saberem, dependendo da época, da fase, nem ver um filme eu conseguia.

Desculpem o drama. Beijos aos que lerem.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Eu Sei Que Não...



A verdade é que não preciso morar ao lado de irmão, pai ou qualquer outro parente. Isso não vai me salvar. Pelo contrário. Estar próximo de vocês é como ter um câncer dentro de mim, crescendo, com sua escuridão a corroer, conspurcar e deteriorar tudo que sou, quero e posso fazer. Sinto-me impotente, furioso por saber-me observado, controlado, boicotado, nas pequenas coisas e detalhes que poluem e envenenam meu cotidiano através do controle que vocês tentam exercer sobre mim.

Se eu me cortasse, não estaria fazendo aquilo que vocês querem (ou estaria, vai-se lá saber), mas me prejudicaria, pois as marcas poderiam trazer consequências indesejadas para mim. Sobra-me apenas o suicídio, pois eu não iria sofre consequências, pelo menos não da forma que vocês, seus filhos da puta, pudessem ver. Eu apena cessaria de existir, ou existiria em outro lugar onde talvez o câncer fosse pior, mas não seria tão podre e sórdido quanto o câncer que é fazer parte dessa família.

Mas o Rivotril não deixa.

Agora já estou Rivotrilizado, e só o que resta é o aspecto intelectual da coisa toda. O ódio cristalizado em IDÉIA. A observação, controle e boicote, como TEORIA.

Alguém mais cético diria: DE CONSPIRAÇÃO.

MAS EU SEI QUE NÃO…
Eu sei que não...
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quarta-feira, 13 de julho de 2016

It’s All About Love



“É sobre amor” - disse Alice, no final do filme “PARA SEMPRE ALICE”.

E eu decidi lutar. Mesmo que para outras pessoas e às vezes até para mim mesmo pareça uma derrota. Vou fazer mais “ECTs”, se a minha psiquiatra achar indicado. Tem muitas coisas que tenho meio que “esquecido” de mencionar para ela referente às “minhas paranóias” e ao sofrimento que estão me causando. A omissão foi por medo da prescrição de mais ECTs (a dra já havia me sugerido que faria bem) ou até de internação. Medo dos esquecimentos, perda de memória recente e acima de tudo da aura de derrota que o ECT carrega. Do estigma.

Hoje fui na minha psicóloga, pensando em falar para ela o quanto estava bem, por uma série de sinais e fatores que mencionaria para ela. Acabou que eu falei sobre o sofrimento que a paranóia me causa e na possibilidade de fazer ECTs novamente. Tentei contrapor com o fato de que mal me lembrava da época que fiz o ECT, o medo de me tornar um robozinho sem alma, de perder minha essência, de sacrificar aquilo que me torna EU.

Mas então, agora assisti “PARA SEMPRE ALICE”. Na verdade o nome do filme é “STILL ALICE”, algo como “AINDA ALICE”, pois a acompanha a história de uma mulher, relativamente jovem, e brilhantemente interpretada pela talentosíssima atriz (AMO-AMO-AMO) Julianne Moore, que descobre sofrer de um tipo raro e precoce de Alzheimer. O filme mostra todo o desenvolvimento da doença, mas que , no fim das contas, ninguém pode tirar dela ou apagar tudo que ela foi, fez e viveu. Mesmo que ela não lembre. Ainda que no período mais sombrio da doença não pareça, ela ainda é a Alice, a mesma que foi renomada professora de linguística com competência e brilhantismo.

Em certo momento do filme, um dos mais lindos e importantes, na minha opinião, Alice diz que às vezes as pessoas não nos levam a sério, por nosso comportamento estranho ou fala confusa. Na percepção dos outros, e algumas vezes na nossa também, nos tornamos ridículos, incapazes, cômicos. Mas ISSO, NÃO é quem nós SOMOS. Isso é a doença. Alice completa dizendo que apesar de tudo isso, não pensem que ela está SOFRENDO. Ela está, é LUTANDO. Ela fala também sobre perda. Perder coisas. Diz que estamos sempre perdendo algo. Assim como ela perde as memórias. Nada de tão diferente. Ainda que no final do filme, seja dito que nada se perde. Não realmente.

Assistindo ao filme me identifiquei com algumas coisas:

  • Com a impotência diante do avanço inexorável, que pode ser retardado, mas não detido, da doença. Afinal, ambas são doenças crônicas, podem ser tratadas, mas não curadas. A dela, o Alzheimer, a minha, o transtorno esquizoafetivo;


  • Com a percepção de que nos acham ridículos ou incapazes ou cômicos; 
  • Até com as perdas de memória. Eu as tenho, quando não por conta do ECT, por causa da quantidade de remédios que tomo, incluindo vez ou outra, o maior causador de esquecimentos, Rivotril; 
  • Me identifiquei MUITO também com a família amorosa, procurando dar suporte a ela. Apesar de, nas horas de paranóias eu me voltar contra eles ou vê-los como vilões, conspiradores ou sei lá o quê, tem um outro lado meu, talvez o são, que vê todo o apoio, suporte força e compreensão que eles me oferecem. Meu pai inclusive. Claro que nesse exato instante que escrevo isso, minha doença diz que é isso que ELES querem que eu pense. E fica o conflito; 
  • Conflito. Isso também é algo que me identifiquei. Ela luta contra a doença, se render-se. Assim como eu, seja tomando os medicamentos, seja indo nas consultas ou tendo feito ECT ano passado. 

E agora, vou partir para a luta de novo. Pode ser que na cabeça de gente ignorante, EU inclusive, isso pareça uma desistência de lutar contra a doença e rendição ao caminho mais fácil.

Mas o ECT não é fácil. É assustador. Causa amnésia. É extremamente estigmatizado. Mas funciona. Profissionais competentes e minha própria experiência mostram isso. E nenhuma doença filha da puta vai ditar minha opinião para que eu continue sofrendo. Pois agora, como disse Alice, não estou sofrendo. Estou lutando.

E como é dito no final do filme, “é sobre amor”. Tenho pessoas que me amam. Pais, irmãos e irmã, sobrinhos, afilhados, amigos. Meus filhotes caninos e felinos. Tenho todos os motivos para lutar.

Posso nunca derrotar a doença, mas terei vencido. Pois seguir lutando, é uma VITÓRIA.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Mutilações (Derrotas Vitoriosas)



Anteontem me cortei de novo. Junto com a sensação de derrota, sinto-me vitorioso. Não quebrei nenhum objeto que me é caro, não cortei meus quadros com estilete como sinto vontade nessas horas, não briguei, não matei, agredi, seja física ou verbalmente, ninguém. 

Assim como se, caso eu me suicidasse, creio que no momento que estivesse no limiar, sentiria, além da óbvia derrota minha para o mundo, que venci, pois de qualquer forma, quaisquer que fossem as novas dificuldades que encontraria no outro lado (se houver outro lado), não seriam dificuldades arquitetadas por ELES. Eu estaria fora do alcance DELES e de suas conspirações. DELES e de seu controle. DELES e de sua falsidade e frieza calculista. Eu estaria além da incompreensão DELES. Da ignorância seletiva da qual ELE às vezes parece se orgulhar.

E isso tudo é para TI e para todos que te ajudam no teu plano absurdo, pelo fato de dependerem de TI (assim como eu), mesmo que não concordem com tua visão distorcida da minha doença e da realidade da qual ela faz parte. Por esse motivo visto o mesmo figurino que tu nessa encenação da qual fazemos parte em nossa família. Visto a falsidade e a frieza, mesmo que não consiga ser tão calculista quanto seria o necessário para não me machucar.

Então me corto e deixo claro: É para ti que faço isso. Para TE sinalizar. Para TU saber que caso um dia eu morra por minhas próprias mãos, houve 3 culpados. Minha doença, eu mesmo e por último, mas não menos importante TU. É muito difícil para mim, dizer que TE amo. Mas eu amo. Porém, por tudo que TU já fez até hoje na minha vida, nesse “tudo” que em muitos momentos foram tipos de mutilações, TE odeio com a mesma intensidade. TU disse que eu devia procurar temas mais iluminados para meus trabalhos de pintura, mas a verdade é que para cada mutilação que houve desde que me entendo por gente, houve também sangramentos, hemorragias internas em mim. Sangue que nunca saiu. Sangue que secou e transformou-se em sombras que habitam o âmago de meu ser. Quando sangro, meu sangue é negro. Como a tinta que eu costumo usar em minhas obras.

Me cortei, mas superficialmente. Nada preocupante. Meus únicos medos (desejos?) é de morrer de tétano, ou de cortar fundo demais, ou no lugar “errado”. Mas há certos medos que consigo superar, esse é um deles. Viu, apesar de tudo, TU também me inspira vencer meus medos, viu, amado, PAI?
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sábado, 7 de maio de 2016

Dieta (Caminho Fácil)



Sabem, para mim que estou em processo de emagrecimento, existem variás reflexões que faço silenciosamente em minha cabeça. Uma delas, é que as pessoas adoram dizer, pelo fato de você ter escolhido para emagrecer um “método diferente” daquilo que costuma se apregoar por aí como “método correto”, que você escolheu o caminho mais fácil. O pior é que às vezes os próprios seguidores e incentivadores, “criadores” ou “descobridores” do método alternativo, talvez para fins publicitários, dizem que é fácil.

Mas não é. Se fosse, estaríamos todos magros e jamais ninguém voltaria a engordar. A verdade é que nada que vale a pena é fácil. Não estou dizendo que não tenha suas compensações, nem que não existem (ás vezes mais em um método que em outro) momentos em que é prazeroso. Mas ser prazeroso e recompensador não quer dizer que seja fácil. 

A dificuldade existe e é bem real ali no nosso dia a dia. Seja lá qual Dieta, Reeducação, Plano Alimentar ou Abordagem Nutricional for.Todas exigem mudanças, não só da forma de nos alimentarmos, mas comportamentais. Caso contrário, já estaríamos magros e não teríamos de seguir nenhuma das opções que listei. 

Todas exigem empenho, força, coragem e muita disciplina. Também temos que abdicar de muitas coisas. Cada uma sabe do que precisou abrir mão . Mas não conheço ninguém que tenha mudado a alimentação e emagrecido sem abdicar de algo. Ou seja, fácil não é. Todas são difíceis e, o quão difícil é para cada pessoa, depende de QUEM é a pessoa e QUAL é o método. Pois outra coisa que descobri é justamente que não existe um método correto para todo mundo. Alimentação é MUITO subjetiva. Mudanças na alimentação então, MUITO MAIS ainda.

Então, penso que a pessoa não devia condenar alguém por tentar um método que ela tentou sem sucesso ou que é diferente daquele que funcionou para ela. Nem dizer que esse alguém escolheu o caminho mais fácil. Cada um sabe de seu esforço, suas lutas e do grau de dificuldade delas. Também sabe das suas recompensas, claro. E ninguém é igual a ninguém. 

Outro julgamento que fazem, é que ser gordo é fácil, é ser acomodado e preguiçoso por aí vai. Mas só quem é gordo sabe como é difícil, sofrido e doloroso, ser gordo. Como tudo na vida tem suas compensações, mas também existe um lado extremamente sombrio e triste na vida mesmo do mais alegre dos gordinhos. 

E é isso. Não existe fórmula mágica para emagrecer sem dificuldade ou esforço. Existe é descobrir o método que mais se adequa a cada um, suas necessidades, gostos, estilo de vida e todas as demais características que formam sua vida, para que seus esforços e luta sejam compensadores. 



Beijos aos que lerem.
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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cura (Um Dia)



Hoje sonhei contigo. É, contigo mesmo. No sonho , que já não lembro bem, nós estávamos voltando de uma viagem ou algo do gênero. De trem. Tu parecia estar feliz (creio que pela viagem de trem) e eu também estava, pelo simples fato de estar contigo. Quando chegamos, tu me levou para tua casa e enquanto estava lá chegou alguém que eu não conhecia. Tu tentou fazer eu me esconder, mas eu me recusei. Por fim, eu e o cara nos defrontamos. Ele falou diversas coisas irônicas para mim, me mandou embora, dizendo, pela minha leve lembrança, que ele que tinha sido escolhido no fim das contas, ele era o oficial e eu disse outras coisas para ele, que pelo jeito alguma coisa faltava nele, ou nela (pois no fim da conversa ele era uma figura feminina *sonho*), senão tu não precisaria me procurar, nem nada em mim. Por fim perguntei o que ele era de verdade: homem, mulher, travesti? Ele se ofendeu e eu me senti bem, pois parecia ter tocado num ponto frágil. 

Pouco depois acordei. Mal. Triste. Melancólico. Sentindo-me usado, trocado, abandonado, descartável. Sentindo saudades de ti, da forma como tu me chamava de kiança, ria das minhas brincadeiras e dizia “kiança muito engraçada”, as viagens que fizemos para o meio do mato e aquela vez que nos amamos no açude.

Agora parei e pensei: do que, além dessas coisas que mencionei,eu sinto saudades? Do sexo. Não por que fosse booommm, mas por que tinha alto teor fetichista. Pois no resto, me desculpe, tu era péssimo e desajeitado. E do que mais? Não consigo me lembrar.

Sim, acordei mal, passei boa parte da manhã irritado, mas não estou mais. Pois, como cada vez percebo mais, exceto na hora que estou dormindo, é tudo uma idealização que me faz te querer ainda. Não lembranças reais, nem uma química extraordinária. Mas uma idealização, muito longe da realidade. Existiram, sim momentos bons, mas na verdade esses não foram maioria. Foram apenas um curto e pequeno sonho em meio a uma tempestuosa noite de pesadelos.

É incrível como apesar de eu saber isso tudo, eu tenho uma reação tão forte quando te vejo pessoalmente, como vi no sonho. De acordar com uma tamanha mistura de emoções fortes. Tamanho afeto, paixão, carinho, ?amor?, tesão, tristeza, saudades e, as que predominam, rejeição e melancolia.

Espero, um dia, me curar disso tudo. Espero, um dia, me curar da relação que tivemos. Espero, um dia, me curar desse lado meu que enfeita as coisas para tentar me fazer cometer os mesmos erros. Espero, um dia, me curar de ti.

Por enquanto, beijos ao que lerem.
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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Quase Tragicômico (Compreensão)




É triste e engraçado. Quase tragicômico. A gatinha branca, sem nenhum motivo aparente, começa a miar, e miar e miar, a correr pela casa e, de repente, pára próximo à porta da área e me olha com olhar questionador (Cadê ela? Ela costumava estar sempre aqui!), num apelo que de mudo não tem nada (Traz ela de volta!), e, por fim, de censura (Tu colocou ela na “casinha do sumiço”, levou embora e ela nunca mais voltou!). 

Depois corre de novo, desta vez para a frente do meu roupeiro, e mia, um miado desesperado, e novamente me olha, com olhar de censura, de apelo, de esperança, como se eu estivesse mantendo a Sarah no roupeiro por quase duas semanas. Roupeiro que a Sarah costumava abrir e entrar, e que eu, distraído, fechava por achar que tinha esquecido de fazê-lo. E roupeiro ao qual a Lana parava em frente, miando, até que eu fosse lá e tirasse de lá a sua maninha, que dormia tranquilamente aconchegada em minhas roupas. Só que agora, eu abro o roupeiro e a Lana olha para dentro e não encontra sua irmã. E o desespero, a saudade, tristeza, a falta e a recriminação a mim, que levei a Sarah embora, dominam ainda mais seus miados até que ela cansa e sofre em silêncio, tentando aceitar que agora, ao menos por enquanto, o único carinho que terá será o meu e dos meus pais, irmãos e sobrinhos.

Mas não adianta, pois ela é apenas uma gatinha, e mesmo eu tendo explicado tudo para ela, ela não entende. Não está no nível de compreensão. Pelo menos agora. Pelo menos enquanto ela chora. Pelo menos enquanto durar seu luto. Como nós, ela não quer deixar a Sarah partir. Ela não pode aceitar. Sente a ausência dela, mas, assim como acontece conosco, ela não entende e nem quer entender. Por que ela a amava de todo coração. O tipo de amor mais puro que pode existir. O amor inocente, de um inocente por outro inocente. De irmãs.

Por fim, ela desiste. Ela não pode trazer a mana de volta. Talvez isso ela já entenda. E vai, pára próximo à porta da área novamente, e se abraça ao paninho onde Sarah dormia, que ainda tem o cheiro dela. E brinca com o pano como se estivesse brincando com a irmã, mordendo e patinhando com as patas de trás...

Como eu disse, em alguns momentos é cômico, mas no geral é triste. Triste e enternecedor e doloroso para os envolvidos. Mas tenho que aguentar, dando a ela o maior suporte, carinho e amor possível. Aquele tipo de amor que Cura. Assim como elas, com seu amor, me curaram um dia.

Beijos aos que lerem.
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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Como Estou? (Saudades, Preocupação, Medo e Raiva)



Como estou?



Com medo de que Lana, minha gata que sobreviveu (ao que eu ainda não sei), morra da mesma forma misteriosa que a Sarah. Ela está comendo pouco e desde segunda-feira ela não “vai ao banheiro fazer o número 2”. Por isso, primeiramente dei para ela uma whiskas sachê, para testar se ela ia comer, e ela comeu pelo menos um pouco. 

Também está dorminhoca e miando em horas super estranhas, tipo 5 ou 6 horas da manhã. Quem costumava fazer isso às vezes era a Sarah. Talvez esse fosse o horário que elas brincavam juntas... Talvez ela esteja lamentando, pranteando a irmã, apenas prestando uma justa homenagem as sua companheira de brincadeiras e carinhos que partiu. 

Ela anda bastante carente, a gente mal a olha e ela já rola e fica com barriga para cima esperando receber carinho. Um dengo só. 

Bom, resolvi ligar para a veterinária. Primeiro fiquei sabendo que os testes de sangue que ela fez para algumas doenças felinas, deram todos negativos, graças a Deus. Depois disse para ela tudo que mencionei acima e ela mandou eu continuar dando as whiskas sachê, misturadinhas com comida sólida e observar. Se o quadro não mudasse até sábado, dever ia levar a Laura lá.

Ela disse que esse quadro é comum quando um bichinho sofre uma perda grande. E foi UMA ENORME PERDA. Mesmo que a Sarah fosse toda pequena e delgada. Ela foi melhor amiga da Lana desde quando, com cerca de quinze dias, foi resgatada da rua e levada para doação. Lá, na Pet onde minha mãe encontrou, Sarah conheceu sua futura irmã, elas foram parar na mesma gaiolinha e nunca mais desgrudaram. Quer dizer, até agora. Até, do sem nenhum sinal prévio ou preparo, a Sarah partir, sem dar Adeus nem nada. Para a Laura, ela literalmente apenas sumiu. Ela, apenas uma gatinha, como fazê-la ENTENDER uma perda como essa? Como, se nem eu mesmo entendo?

Estou com raiva reprimida também, pois toda vez que vou na casa dos meus pais, a Clarisse, que trabalha lá para eles, a mesma que um dia me disse que percebera que ninguém lá em casa tem “VOZ DE COMANDO”, usando as palavras da própria, faz algo para me afrontar. Veja bem, ela sabe que tenho a doença que tenho, sabe como funciona na minha cabeça, as supostas paranoias, que eu sou mais desconfiado que a maioria das pessoas. Mesmo assim, por uma estranha coincidência, toda vez que vou lá para almoçar, falta algo para mim na mesa. Veja bem, é sempre no meu lugar, pois ela sabe o lugar onde sempre sento. Ou é um prato, ou os talheres, ou o copo. Café ela sempre passa depois do almoço, ou no meio da manhã. A não ser que eu esteja lá e meu pai não. Daí ela não passa. Ou passa quando estou quase ou indo embora. Gente, eu sei passar café. Não sou aleijado nem nada, mas é só comigo que ela NÃO é GENTIL E PRESTATIVA. Para as outras pessoas ela oferece café, coloca a louça corretamente na mesa.

Bom essa semana, segunda-feira, fui na casa deles e ela não colocou NADA de louças para mim na mesa. E ainda minha mãe mandou eu ir buscar. Eu fui, mas quando voltava pela cozinha em direção mesa da sala, acabei quebrando o prato. Não posso dizer que fiquei triste com isso, por que não fiquei. Quer dizer, até posso, ironicamente, é claro. “OOHHH, estou arrasado com esse prato que quebrou e espalhou cacos por toda cozinha.” Como a culpa era toda dessa vaca vadia, Clarisse, e ela não se prontificou a limpar, resolvi que tava na hora de ir embora. E fui. Melhor coisa que fiz. O resto do meu dia foi maravilhoso. Resolvi que vou evitar ao máximo ir na casa deles quando ela estiver. Se Deus quiser, ENQUANTO ela estiver. Pois creio que, em algum momento, ela vai escorregar e a máscara vai cair e partir-se em pedacinhos. E meus pais vão se arrepender de um dia tê-la contratado. Sei que é horrível pensar assim, mas é o único pensamento que me sobra e acalenta. E sei que estou certo. Ela também é hiper manipuladora. Isso é mais do que uma certeza, eu já vi como ela joga um pouco desse lado, outro pouco daquele. Como se diz, ela vai de acordo com o vento. Na minha tia, onde ela trabalha também, ela fala de nós, conosco, ela fala da minha tia, e por aí vai indo. 

Mas vamos largar a Clarisse agora. O tempo que se encarregue dela.

Como eu estou? 

Acho que estou bem, principalmente agora que coloquei por escrito meus sentimentos. Tenho lido horrores, e a leitura é uma coisa que queria muito voltar a conseguir fazer, APRECIANDO, devorando os livros como antigamente. Ainda não estou nesse estágio de devorar, mas estou a caminho e a parte do APRECIANDO, já conquistei. O livro que estou lendo, atualmente, é Lasher, da séries das Bruxas Mayfair, da Anne Rice. Ou, como também é conhecida, Tia Arroz. 

Também estou conseguindo voltar a assistir filmes sem sofrer de ansiedade crônica para que acabe.

Comecei a tomar café descafeinado, o que acho que influenciou positivamente nos dois itens anteriores. E estou achando ele até bem gostoso. Se não soubesse, não diria q ele não tem cafeína. 
Também voltei a pintar. Quer dizer, estou fazendo um curso de pintura, uma vez por semana, mas mesmo assim, em casa, não andava pintando. E esse fim de semana, voltei a produzir, graça a Deus.

Para terminar, então, o balanço, tenho sim, saudades, preocupação, medo e raiva, mas no fim das contas estou feliz. Estou progredindo. Conte suas bênçãos, dizem os sábios. E é isso que procuro fazer atualmente. As vezes não consigo, mas muitas vezes consigo. E assim é a VIDA. 


Ouvi esses dias, apesar de não ser religioso, um dicurso do Papa Francisco, que achei genial. Vou pegar um trechinho emprestado:
“Mas, padre, eu sou fraco, eu caio, caio”. “Mas se cai, levanta-te! Levanta-te!”. Quando uma criança cai, o que faz? Estende a mão à mãe, ao pai, para que a faça levantar."




Peço ao Grande Pai e a Grande Mãe, que sempre me deem, quando eu cair, forças para me erguer novamente, e que, se eu não tiver forças, eles ouçam meu chamado e estendam a mão para me levantar. Amém

Bom, por hoje fico por aqui.

Beijos aos que lerem.

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sábado, 9 de abril de 2016

Então, Quando Tudo Parece Bem...



Quarta-feira, ao acordar, encontrei metade de uma barata no banheiro. Obviamente foi minha caçadora, a Sarah, que a caçou e deixou lá o troféu, já que normalmente sou eu que junto com um papel e coloco no lixo do banheiro. Quando andei pela casa descobri que em vários pontos havia uma espécie de vômito cremoso esbranquiçado.EU já sabia que era da Sarah, ou por que imaginava ter algo a ver com as baratas que ela costumava caçar, ou por intuição, sei lá.

Quando coloquei comida ela não veio correndo como de costume. E me pareceu um pouco prostrada, sonolenta demais e enjoada. Resolvi que ia observar. Ela vomitou mais uma vez. Resolvi que se ela vomitasse novamente, eu iria levá-la à veterinária. Ela não vomitou. Decidi esperar para ver se teria febre ou se melhoraria do abatimento. Quinta-feira ela me pareceu melhor, e como eu tinha compromisso de manhã e de tarde, não tinha como levá-la ao veterinário. Ao voltar para casa, quase à noite, me pareceu ,mais fraquinha ainda do que quarta-feira.

Ontem de manhã cedo a levei ao veterinário. Ela ficou lá e eu tive que ir para a aula de pintura à tarde. Liguei no fim da tarde para ver como estava, e novamente hoje de manhã. Quando a deixei na lá, não me despedi. Indo embora, a meia quadra já da PETSHOP, percebi isso e pensei, realmente, em voltar para dar um beijo nela e um olhar para ela, mesmo pensando que a veria no dia seguinte.Mas desisti, pois estava COM MEDO DE ME ATRASAR. É Incrível como a intuição às vezes funciona que é uma maravilha e a gente nem dá bola para ela.




Recebi a noticia hoje, pela minha mãe que veio pessoalmente me informar. Fui na veterinária, vi o corpo, chorei. Toquei, beijei. Mas como das outras vezes, eu sabia que não era ela que estava ali. Era apenas e somente uma linda carcaça. Apenas a roupinha que ela usou aqui na terra. A Sarah verdadeira, tá no céu, onde tem árvores de Whiskas sachê, e grande campinas, com grama e mato para ela comer e arbustos dos quais brotam bolinhas de papel. Onde gente como meu avô e meu amigo, ambos falecidos,vão arrancar essa essas bolinhas e jogar para que ela busque. E onde, ela finalmente, vai conseguir pegar o próprio rabo.

Quanto ao que levou a esse óbito,não tem muita explicação. Ela estava com anemia e um pouco desidratada. Também emagrecendo, isso eu já tinha percebido, mas achei que fosse coisa da mudança, da adaptação ao fato de eu vir morar sozinho, tendo trazido minhas filhas felinas junto. Talvez, eu pensava, apenas ela estivesse se adaptando aos poucos, e por isso sentindo menos fome. E olha que eu via ela comer. Eu via ela beber água. Mas aparentemente, não o suficiente. Não sei. A veterinária ficou tão chocada quanto eu. Vão fazer uma necropsia para tentar descobrir o que aconteceu.

A Sarah sempre foi meio frágil, ao mesmo tempo em que era arredia. Pelo menos a que pegássemos ela no colo. Carinho era só quando ELA queria.Que colo, que nada, ela gostava mesmo era do quentinho da parte de cima do subwoofer do meu “Home Teather”.

Estou muito triste e sei que, no dia a dia, essa tristeza vai se agravar por conta das inúmeras lembranças de coisas cotidianas que remetem a ela.

Nós adotamos em uma pet shop, com um mês de vida. E sabe onde ela morou os quinze dias desse primeiro mês de sua vida? Na rua. Como se diz, na sarjeta. A abandonaram Bebê ainda na rua para morrer. Bom, falharam. Ela sobreviveu. Não sem seus traumas, mas sobreviveu. Acabou sendo uma gata meio espiada, que se assustava com qualquer barulho ou movimento brusco. Não pagava imposto para sair correndo, “fugida” e se esconder.

Mas também fico feliz, pois graças a meu pai e minha mãe, e um pouco a mim também, ela teve o resto de sua curta vida cheia de amor, carinho, atenção, comida da melhor qualidade (às vezes até rolando uma Whiskas Sachê), corridas e brincadeiras com sua maninha, Lana, e principalmente brincadeiras com bolinhas de papel (era um sarro, a gente mal amassava um papel e ela já achava que era para buscar bolinha). Ou seja, depois daqueles quinze e horríveis primeiros dias de sua vida, ela foi feliz na maioria do tempo restante.

Espero que esteja ainda mais feliz lá em cima. E que no futuro eu a encontre e possa pegá-la no colo e acariciá-la, sem que ela estremeça como se alguém, do seu triste inicio de vida, fosse machucá-la.



SARAH, TE AMO.



Beijos aos que lerem.


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terça-feira, 5 de abril de 2016

AVISO sobre Novas Postagens Antigas



Para não estranharem o surgimento de postagens de 2015, aviso que é por que, já que retornei a meu lar, o blog Luz & Sombras, incorporei a eles as postagens do meu outro blog, que criei ano passado. Todas postagens de 2015, exceto uma única postagem do dia 05/09/2015, que coloquei aqui para divulgar o REFLEXÕES DE UMA MENTE DESNORTEADA, foram retiradas do referido blog.

Decidi, na época criar um novo blog pelo fato de que parecia MUITO mais divertido do que tentar fazer o que acabei, por fim, fazendo aqui. Explicar tudo, ou, ao menos um pouco, do que ocorreu na minha vida desde o momento em que decidi namorar meu amigo, largar de vez meu ex, e erroneamente (ou não) abandonar o blog. Mas o que importa é que agora estou de volta (por quanto tempo não me pergunte :P) e adorando ressuscitar este blog que traduz muito daquilo que sou e sinto ou um dia fui e senti.

Enfim, espero que curtam as postagens que incorporei,e por hoje fico por aqui.
Beijos aos que lerem.
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Eu quero partir (Vazio)



“Eu quero partir, pois nada tem significado. Independente de eu ir ou não. O Vazio vai estar ali e me seguir para onde eu for nesse mundo. ELE é eterno, eu não. Tem que haver um alívio.
Mas não há. O mundo se repete todo dia, com pequenas variações, para dizer que foi ontem, hoje ou amanhã. Mas é sempre igual.
E sem sentido. E na superfície. Mentira. Plástico. Artificial. Nada do que eu faça pode mudar aquela sensação: a dor, o sofrimento, a miséria e a solidão de saber que ninguém lhe entende.
Preencho meus dias superficiais (de mentira), com atividades superficiais (de mentira), quando na verdade meu maior medo e meu maior desejo são pela única coisa que é imutável e inevitável nessa vida.
Tudo se resume a isso: A morte. E como vai agir em relação a ela.
Eu a temo, mas também a cultuo, pois pode estar nela o alívio eterno da não existência.  Do nada. Não há Vazio, onde não há nada. Ou melhor, há. Mas ninguém para senti-lo.

Vontade de me machucar.”

17/03/2016




Escrevi isso num dia que acordei chorando e com um sentimento enorme de desesperança. Chorei por cerca de 2 horas e o sol nem havia nascido ainda. Mas depois ele nasceu. Assim como minha esperança renasceu em meu peito dolorido.

O Vazio existe, mas quanto mais atenção nós damos a ele, maior ele se torna. Mas também não podemos ignorá-lo, pois isso também lhe dá força. Sentimentos ignorados e reprimidos, costumam ficar muito zangados.

Estou procurando aprender a lidar com eles. E tentando mostrar educadamente para o Sr. Vazio, para A Sra. Desesperança, para a Madame Depressão e a Srta. Paranóia, que eles realmente estão certos, em alguns aspectos, mas também que estão muito, mas MUITO LONGE, de serem os DONOS DA VERDADE.

Nesse dia minha forma de lidar foi:

Senti vontade de chorar, chorei.

Senti vontade de me machucar, ESCREVI. Sobre os sentimentos que me afligiam. E eles tiveram seu momento de diálogo, de atenção e até carinho e ficaram mansinhos de novo colocando-se no seu devido lugar.

E passou. Eu melhorei e estou aqui para escrever.

Beijos aos que lerem.
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