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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Peso Morto


EU sou um peso. Um peso morto. É como eu me sinto em relação a vida. MORTO. E um peso.  

Nada realmente tem sentido. Nunca teve para mim.  Talvez por isso tenha tentado sempre fugir dela a todo custo. Seja por meio das drogas ou tentando suicidar-me.  
Não posso aguentar mais ECTs. Não posso mais esquecer e viver a vida como um bobo alegre. Mas também não aguento conviver com os sintomas e as implicações da minha doença. Ou com a verdade, pois não sei mais o que é o que. Tudo parece a mesma merda. Realidade se mistura com mentiras que minha mente me conta. Isso, caso sejam mentiras. Elas fazem eu ter vontade de machucar as outras pessoas e,  como eu não posso, não consigo fazer isso, ela faz como que eu resolva me machucar.
Como poderia eu me defender de mim mesmo. Quem ia lutar contra quem. Pois sou um só. A doença já faz parte de mim. A doença é o que eu sou. 
As pessoas, principalmente meu pai, perguntam por que pinto mais quadros sombrios, do que alegres. É por que pinto sobre minha vida. E minha vida é a doença. Ainda que esteja um sol lindo brilhante, e eu esteja sorrindo, num lindo jardim, com lindas flores coloridas e arbustos, e um lindo gramado e lindas e frondosas árvores com folhas de um lindo e vivo verde, isso é por fora. O sol ilumina minha superfície, mas por dentro, só há sombras. As sombras estão sempre dentro de mim. E minha única chance, é colocá-las para fora na minha arte. Só assim permanecerei vivo. Só assim, elas não irão vencer. Ainda que não seja o que parece quando o quadro está pronto, ele evita que a escuridão se propague ainda mais. Que eu seja completamente consumido por ela. Minhas obras, principalmente as escuras e sombrias e tétricas, geram a única luz que consegue iluminar o que carrego dentro de mim. Iluminar os recônditos escuros da minha alma.
Digo que sou um peso, pelo fato bem simples de eu não ter estabilidade ou constância para me sustentar e gerir minha vida. Preciso ficar dependendo de outras pessoas. Sim, eu sei que todos de um forma ou outra dependemos de outras pessoas, mas falo de depender completamente. Se meu pais morressem hoje, eu estaria completamente desamparado. Talvez meu irmão mais novo tentasse me ajudar, só que isso seria mais humilhantes ainda do que depender dos meus pais. Tem gente que me acha um sem vergonha, bem, que não se preocupem, eu sinto vergonha, apenas não costumo externá-la. Seria dar munição ao inimigo. Que inimigo? O mundo. A sociedade. 
Como disse sou um peso. Um peso morto. Também chamado por outros nomes, presente em tantas frases do meu pai, que eu finjo não saber que serem direcionadas a mim, assim como ele finge não se referirem a mim: Vagabundo. Marginal. 
Ou outras palavras que vejo formarem-se no olhar de tantas outras pessoas, ao falarem comigo: Retardado. Louco. Maluco.
Mas me chamo de algo diferente.
UM PESO.
Um peso, como vai acontecer com todo mundo um dia, MORTO.
Só que no meu caso é em VIDA. Até eu resolver aliviá-los.

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

It’s All About Love



“É sobre amor” - disse Alice, no final do filme “PARA SEMPRE ALICE”.

E eu decidi lutar. Mesmo que para outras pessoas e às vezes até para mim mesmo pareça uma derrota. Vou fazer mais “ECTs”, se a minha psiquiatra achar indicado. Tem muitas coisas que tenho meio que “esquecido” de mencionar para ela referente às “minhas paranóias” e ao sofrimento que estão me causando. A omissão foi por medo da prescrição de mais ECTs (a dra já havia me sugerido que faria bem) ou até de internação. Medo dos esquecimentos, perda de memória recente e acima de tudo da aura de derrota que o ECT carrega. Do estigma.

Hoje fui na minha psicóloga, pensando em falar para ela o quanto estava bem, por uma série de sinais e fatores que mencionaria para ela. Acabou que eu falei sobre o sofrimento que a paranóia me causa e na possibilidade de fazer ECTs novamente. Tentei contrapor com o fato de que mal me lembrava da época que fiz o ECT, o medo de me tornar um robozinho sem alma, de perder minha essência, de sacrificar aquilo que me torna EU.

Mas então, agora assisti “PARA SEMPRE ALICE”. Na verdade o nome do filme é “STILL ALICE”, algo como “AINDA ALICE”, pois a acompanha a história de uma mulher, relativamente jovem, e brilhantemente interpretada pela talentosíssima atriz (AMO-AMO-AMO) Julianne Moore, que descobre sofrer de um tipo raro e precoce de Alzheimer. O filme mostra todo o desenvolvimento da doença, mas que , no fim das contas, ninguém pode tirar dela ou apagar tudo que ela foi, fez e viveu. Mesmo que ela não lembre. Ainda que no período mais sombrio da doença não pareça, ela ainda é a Alice, a mesma que foi renomada professora de linguística com competência e brilhantismo.

Em certo momento do filme, um dos mais lindos e importantes, na minha opinião, Alice diz que às vezes as pessoas não nos levam a sério, por nosso comportamento estranho ou fala confusa. Na percepção dos outros, e algumas vezes na nossa também, nos tornamos ridículos, incapazes, cômicos. Mas ISSO, NÃO é quem nós SOMOS. Isso é a doença. Alice completa dizendo que apesar de tudo isso, não pensem que ela está SOFRENDO. Ela está, é LUTANDO. Ela fala também sobre perda. Perder coisas. Diz que estamos sempre perdendo algo. Assim como ela perde as memórias. Nada de tão diferente. Ainda que no final do filme, seja dito que nada se perde. Não realmente.

Assistindo ao filme me identifiquei com algumas coisas:

  • Com a impotência diante do avanço inexorável, que pode ser retardado, mas não detido, da doença. Afinal, ambas são doenças crônicas, podem ser tratadas, mas não curadas. A dela, o Alzheimer, a minha, o transtorno esquizoafetivo;


  • Com a percepção de que nos acham ridículos ou incapazes ou cômicos; 
  • Até com as perdas de memória. Eu as tenho, quando não por conta do ECT, por causa da quantidade de remédios que tomo, incluindo vez ou outra, o maior causador de esquecimentos, Rivotril; 
  • Me identifiquei MUITO também com a família amorosa, procurando dar suporte a ela. Apesar de, nas horas de paranóias eu me voltar contra eles ou vê-los como vilões, conspiradores ou sei lá o quê, tem um outro lado meu, talvez o são, que vê todo o apoio, suporte força e compreensão que eles me oferecem. Meu pai inclusive. Claro que nesse exato instante que escrevo isso, minha doença diz que é isso que ELES querem que eu pense. E fica o conflito; 
  • Conflito. Isso também é algo que me identifiquei. Ela luta contra a doença, se render-se. Assim como eu, seja tomando os medicamentos, seja indo nas consultas ou tendo feito ECT ano passado. 

E agora, vou partir para a luta de novo. Pode ser que na cabeça de gente ignorante, EU inclusive, isso pareça uma desistência de lutar contra a doença e rendição ao caminho mais fácil.

Mas o ECT não é fácil. É assustador. Causa amnésia. É extremamente estigmatizado. Mas funciona. Profissionais competentes e minha própria experiência mostram isso. E nenhuma doença filha da puta vai ditar minha opinião para que eu continue sofrendo. Pois agora, como disse Alice, não estou sofrendo. Estou lutando.

E como é dito no final do filme, “é sobre amor”. Tenho pessoas que me amam. Pais, irmãos e irmã, sobrinhos, afilhados, amigos. Meus filhotes caninos e felinos. Tenho todos os motivos para lutar.

Posso nunca derrotar a doença, mas terei vencido. Pois seguir lutando, é uma VITÓRIA.
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domingo, 3 de abril de 2016

NOVO COMEÇO



Como começar, quando não é o começo? Bom, vamos pelo começo. Ou pelo fim. Se bem que dizem que cada fim é um novo começo. Então vou iniciar um por algo que para mim é de extrema importância:

MEU PESO E FORMA FÍSICA

Bom, saibam que eu quase morri. Um belo dia eu passei mal, fiquei com uma dor horrível na barriga. Fui num hospital de 5ª da cidade onde me encontrava, pois não estava na capital, onde foi diagnosticado, erroneamente, por um médico incompetente e desinteressado, como infecção urinária. Digo que esse primeiro médico era incompetente, por que ele NEM AO MENOS ME EXAMINOU! Apenas me fez meia dúzia de perguntas e deu o diagnóstico. Alguns dias depois, fui para no hospital. Num decente, onde o médico, desta vez competente, detectou a diverticulite.

A merda é que, por culpa do primeiro médico, quando saiu o segundo diagnóstico já era tarde demais. Algumas horas após sabermos que era diverticulite, enquanto eu estava no quarto do hospital para fazer mais exames, meu intestino ESTOUROU. Literalmente. EXPLODIU. Rompeu-se.

Daí o médico, em uma cirurgia de emergência, teve que limpar tudo e arranjar um jeito de me salvar. O jeito foi fazer uma colostomia, que talvez fosse temporária, talvez não. Dependeria da minha recuperação nos meses seguintes. Não vou explicar tudo, pesquisem, se quiserem, mas já aviso que é nojento.

E então, quando voltei do hospital para casa, e comecei meu pós-operatório, descobri em meu pai, alguém que eu nunca havia conhecido. Pelo menos não completamente. Que fez coisas que eu jamais julguei ele seria capaz ou faria. Foi ele meu suporte, durante boa parte do pós-operatório da primeira cirurgia. Tudo isso começou no fim do ano de 2012.

Em 2013, precisei de cuidadoras, e foi aí que conheci a Samanta, uma pessoa super especial que me acompanhou por acho que dois anos. Primeiro como cuidadora, depois como acompanhante terapêutica. Hoje somos muito amigos e acho que, da missão que temos na vida um do outro, boa parte está cumprida. Acho que eu fiz uma grande diferença na vida dela e ela na minha.

Entrei numa depressão muito profunda, devido ao saco de merda que fui obrigado a carregar pendurado na barriga por 4 meses. E depois pelo sofrimento da cirurgia e reversão em abril de 2013. Sim, eu sei, devo dar graças a Deus por não ter sido colostomia permanente, e eu dou, mas mesmo assim, isso não anula o sofrimento da 2ª cirurgia. E nem o da terceira, pois houve uma terceira, já que tive uma hemorragia na noite posterior a da cirurgia de reversão.

Sobre minha aparência, depois disso tudo: Eu estava gordo, inchado, cheio de cicatrizes e, como eu disse antes, numa depressão sem fundo. Não fazia nada sozinho.

Se hoje consigo fazer as coisas sozinho, como tomar banho, me manter sempre barbeado, cortar as unhas, entre outras coisas, devo isso a meus pais, a Simone, e a minha psicóloga. E a mim, que sou um guerreiro, apesar de as vezes, eu mesmo duvidar.

Depois que passei tudo isso, ainda tive uma hérnia na barriga e tive que fazer mais uma cirurgia.

Quando afinal acabaram as cirurgias, e parei para realmente me olhar, no aspecto físico, fiquei chocado e desesperançado. Achei que jamais voltaria a ser bonito, atraente ou sequer teria novamente “uma sexualidade”. Olhava para mim com aquelas cicatrizes e me via como uma figura assexuada e de certa forma monstruosa. O baque e a desilusão foram tão fortes que, ao invés de lutar para voltar à velha forma, pelo menos no que era possível, e me fechei dentro de mim mesmo, por trás de uma muralha de gordura que adquiri durante o período das cirurgias e no decorrer dos anos seguintes. Uma muralha que ninguém poderia derrubar, exceto eu mesmo. O grau de desesperança era tamanho, que doei todas as roupas de quando eu era magro. Não por que me gostasse como estava, mas por julgar não ter forças para mudar. Havia desistido de lutar com o peso, assim como desistira de lutar por e contra muitas outras coisas. Por fim, no ano passado, alcancei a faixa dos 102kg. Praticamente cruzando a porta da obesidade. Digo isso pois calculei meu IMC, de acordo com minha estrutura óssea, e ele indicou exatamente isso que eu falei. Resolvi tentar uma reeducação alimentar tradicional e não tive sucesso. Mesmo aliada à caminhadas diárias, perdi um pouco de peso e depois estacionei. E passava o dia com fome, mesmo sendo generosa a quantidade que eu poderia comer por dia. O problema, mesmo, é a quantidade absurda de remédios que eu tomo. Quase todos provocam aumento de peso. Ou de apetite, para ser mais específico. Um médico que eu tinha dizia que o remédio não engorda, o que engorda é comer. Queria ver se ele tomasse todos os remédios que tomo, se ele iria resistir à fome infernal que eles causam.

Ano passado, tive duas internações psiquiátricas. Uma no meio do ano, após minha tentativa de suicídio, para fazer uma série de 10 ECTs e outra por outros motivos em dezembro. Futuramente voltarei ao assunto, mas por ora, o que importa é que nessa última internação resolvi fazer a Atkins. Li o livro e, quando saí, comecei a fazer. Também descobri que havia uma nova Atkins, mais atualizada e embasada nas mais recentes pesquisas cientificas, e me encantei ainda mais pela proposta e características gerais. Adotei a Abordagem Nutricional Atkins e, desde o inicio do ano,  já emagreci quase 10 kg.

Quanto às cicatrizes em meu abdômen, atualmente penso que estão ali para mostrar que sou duro na queda. E que tenho muito a fazer nesse mundo ainda, mesmo que às vezes pense ou sinta o contrário.

Bom, vou ficando por aqui. Tenho mais a contar, muita coisa aconteceu desde que parei de escrever no BLOG. Principalmente sobre meu amigo, que se tornou depois meu namorado. Mas por hoje chega.

Beijos aos que lerem.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Paranóia Matinal



Ontem de manhã tive uma pequena grande amostra de como pode um dia ser minha vida. Revivi a forma como ela estava antes da internação e do ECT.

Primeiro foi a minha água. Costumo tomar água direto de uma garrafa de 1,5 que encho naquelas bomba de 20 litros que temos aqui em casa. Várias vezes procurava minha água e quando me dava conta estava em algum lugar da cozinha, ou da sala, próximo do local onde Clarisse, a moça que trabalha para nós, estava ou fica grande parte do tempo. E normalmente, quando a encontro tem apenas um quarto da quantidade de água da garrafa. E eu tenho um problema sério de urgência na hora de urinar. Daí, somei 2 e 2 e deu 5,obviamente. Ela coloca diurético na minha água. Feita essa constatação, que já é antiga, pois antes do ECT eu concluíra a mesma coisa, abriu-se um leque de outras possibilidades.

Uma de minhas gatinhas, de acordo com minha percepção, fica meio”lerda e deprimida”, quando Clarisse está aqui. Minha gatinha também está bem mais magrinha, comendo normalmente. Logo, fica óbvio, nossa funcionaria está dando veneno para ela!

Também é um saco o que passou a acontecer com nossos aparatos eletrônicos que possuem cabos. Os cabos dos meus fones quebrando, do mouse e dos carregadores da minha mãe tendo o fio desencapado e por aí vai. Os controles remotos funcionando com muita dificuldade, tendo que apertar os botões lá no fundo, mesmo quando trocamos as pilhas.

E então eu percebo que não tomei os meus remédios nessa manhã. Às 11 horas.

Sabe o que é mais difícil? É você pensar isso tudo de uma pessoa que você gosta. Que no geral sempre que pôde, “ até onde você tem certeza”, foi legal com você. Tratou você bem, conversou, foi amigável. Daí eu penso que não adianta, até do meu pai e da minha mãe penso coisas absurdas, que não me parecem absurdas, no entanto. A única coisa que me faz ter um discernimento e chamá-las de absurdas (não considerá-las, veja bem), são os medicamentos. Eles me presenteiam com o benefício da dúvida nesses casos.

Por que mesmo quando os utilizo, continuo tendo esse tipo de sentimento, o que muda é a relevância que eles tem para mim e para meu dia. O que muda, é que consigo, mesmo cheio de dúvidas, ser amigo da Clarisse e tratá-la com carinho. O que muda é que consigo tratar meu pais com, bem, como meus pais.

O que posso dizer? Maldita genética, maldita maconha, maldito câncer (que leva aqueles que amamos), maldito transtorno esquizoafetivo!

Ou se for tudo realidade, maldita Clarisse, malditos pais, maldito câncer (que leva aqueles que amamos), maldita conspiração!

E ao analisarmos vemos que a única coisa em comum em “ambas realidades”, é o maldito câncer, que leva aqueles que amamos. Que levou meu “Príncipe Improvável”. Mesmo isso, houve vezes que duvidei (e adorei sentir essa dúvida), que ele tenha realmente morrido. Cogitei se não foi tudo um teatro. Mesmo aquela cena no hospital, quando vi o corpo dele funcionando a base de aparelhos e pensei “Ele não está mais aí”. Quando eu olhei e percebi, que dissessem o que dissessem, quando segurei a mão dele e rezei e disse o quanto o amava, entre outras coisas, ele já estava morto. Só o que restara era uma casca vazia. Mesmo aquele corpo no caixão, que para mim nada mais era que um boneco de cera.

O mais difícil, é que as pessoas que olham de fora, nem imaginam todo esse mundo que se passa dentro de mim. E mesmo pessoas que deveriam saber, ou pelos menos imaginar, quando eu começo a falar sobre alguns desses pensamentos, ao invés de me ajudar, seja ajudando a enxergar além ou apenas ouvindo, preferem me censurar, chingar e tentar me fazer sentir uma merda inútil e ingrata que reclama de barriga cheia.

E é isso aí por hoje. Beijos aos que lerem.
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domingo, 13 de setembro de 2015

Estresses, Raiva e Fúria





Hoje não estava muito inspirado para escrever. Me estressei com meu pai em pleno café da manhã e, como ele é incapaz de pedir desculpas, e eu tenho sérias suspeitas de que, o motivo da incomodação, foi algo que ele fez propositalmente, fiquei bem chateado boa parte do dia. Pensei em não escrever, mas olhando meu diário, agora a noite, achei um texto que se encaixa perfeitamente com aquilo que senti de manhã e até mesmo, em alguns momentos no resto do dia. 


Graças a Deus no meio da manhã me ligou uma amiga muito querida, que apesar de agora estar morando em outro estado, ainda tem um timing perfeito. Me ajudou a melhorar bastante de humor, mesmo que não totalmente. Só não melhorei totalmente por que realmente foi bem forte o que senti depois do estresse com meu pai. Quase como descrito no texto que segue abaixo:



“31/07/2015


Sabem, as vezes sinto tanta raiva, tanto ódio, que parece que vou explodir. E nessas horas,nasce em mim um imenso impulso destrutivo, que preciso extravazar de alguma forma. Chego a me imaginar quebrando tudo ao meu redor, sejam objetos, espelhos, portas, vidros ou janelas.


As vezes sinto revolta com o mundo, com os outros, comigo mesmo. Mas é tudo isso elevado a um nível profundo e altíssimo (kkkkk), tipo level HARD.


Outra fantasia que tenho, é de mim quebrando um espelho com a testa (clichê, né?) e depois usando um dos cacos para cortar os pulsos.


ELES não imaginam, ninguém imagina, mas quebrar a confiança de meus terapeutas tomando uma superdose de medicações, parece uma brincadeira perto dos meios de extravazar minha fúria, que imagino às vezes. Me mutilar com um estilete é apenas um paliativo, para quem não tem coragem de tornar os cortes mais fundos e ver o sangue jorrar até a vida se esvair junto com ele. A fúria, a revolta, que me dominam são normalmente por coisas, fatos, acontecimentos ou situações que não posso modificar. Pela minha impotência perante certas coisas.


Por isso tantas sombras, escuridão e violência em meus quadros. Quer dizer, em alguns. O meu pai queria que eu pintasse paisagens, como no início. Mas só se elas significarem algo para mim. Só se a ideia geral da tela significar algo e me representasse de alguma forma. Tem que ter algum sentido. Até posso pintar paisagens, ás vezes, mas quero mesmo é ser apreciado pelos meus outros quadros. Quero que as pessoas se questionem, entendam, ou apenas aceitem e, de preferência, se interessem pela minha escuridão transposta para a tela em forma de arte. Quero ser amado em toda minha “obscuridade exposta”. E, de quebra(kkkkk), sentir-me aliviado em meus impulsos. Sendo eles destrutivos ou não.”










Agora estou melhorzinho. Esse texto, escrevi no período pós quase suicídio e pré internação e ECT. Fico pensando o que significa eu hoje ter tido pensamentos auto-destrutivos. Será que é normal para alguém que está com medicamentos ajustados e fez uma penca de ECT? Vou ter que relatar para a minha psiquiatra. Espero que não signifique nada de ruim. Em manhãs como a de hoje, penso que apesar de todas as desvantagens que existem, as vezes a internação consegue ser quase melhor do que aqui fora. O pelo menos do que aqui em casa. Mas provavelmente se eu estivesse lá, estaria ansiando pelo dia da alta. Certas coisas são mais complicadas do que parecem. Fico por aqui. Beijos aos que lerem.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Motivações de Um (Quase) Suicídio



O texto abaixo também trata de suicídio. Do que eu buscava (ou achava que buscava) nele. Escrevi-o depois da minha tentativa mal sucedida e antes da minha internação e das sessões de Eletroconvulsoterapia.






“Quando tomei os comprimidos minhas intenções eram:


1. Ser salvo (vivo ou morto) ;


2. Ser livre (vivo ou morto);


3. Acabar com a dor (ou melhor, as dores, pois são muitas);


4. Acabar com os arrependimentos, as máscaras;


5. Exterminar as vozes que me dizem o que não fazer e, o que de ruim vai acontecer, se eu fizer; Que muitas vezes me paralisam, mesmo que o GuiB. saudável saiba que é quase tudo mentiras, medos (muitos sem fundamentos) ou então apenas vagas possibilidades;


6. Eu queria também esquecer. Acabar com a falta, a saudade, com a sensação de ter o coração arrancado sem praticamente nenhum aviso. 


7. O remédio que usei na minha tentativa causa esquecimento, creio que por isso o escolhi. Eu tenho tido muitos possíveis esquecimentos. Mas como sou paranoico, não confio em quase ninguém, fica difícil definir o que é esquecimento mesmo. Chegou ao nível do desespero onde tudo o que eu queria era esquecer tudo e todos e sentir paz, não desconfiança e descrença dos que me cercam. Ir para um lugar onde poderia confiar em todos ou apenas a dor vai parar. As dores. E vou poder esquecer o que quiser, que alguém vai me mostrar, daquilo que eu esqueci, apenas o que ajuda e importa, e eu vou acreditar. Onde não vão me ludibriar. “


E lendo isso, vi que existe sim esperança. Não preciso morrer, mesmo que as vezes meu cérebro tente dizer o contrário.


Não estou salvo, nem sou livre, mas desde que fiz o ECT, a dor, as dores, diminuíram consideravelmente. 


Estou lidando melhor com os arrependimentos. 


Ainda os sinto, mas procuro usá-los para me ensinar. Para não repeti-los com um possível novo amor no futuro, ou seja lá com quem for.


As vozes, ainda estão presentes, mas agora consigo discernir melhor a hora de dar atenção a elas ou não.


Os medos estou enfrentando, mesmo que lentamente, mas estou. Coisas como ir na padaria e conversar meia dúzia de palavras com a atendente, sorrindo e sendo simpático, não estão mais fáceis, mas eu estou mais forte e lutando contra a fobia social. 


Quanto ao coração arrancado, o jeito é me virar como posso sem ele e esperar a ferida cicatrizar. Mas a cicatriz estará sempre lá. E é bom, não quero mesmo esquecê-lo. Cheguei a essa conclusão. Deixa-lo ir, é uma coisa, mas fingir que nada aconteceu, é impossível para mim. Não há ECT que apague um amor como o que vivemos o Príncipe e eu.


Mas a Eletroconvulsoterapia ajuda a esquecer, em outros casos. Esqueci de muitas coisas, exatamente como disse no fim do textinho que desejava que acontecesse com meu suicidio. Mas elas ainda estão no meu cérebro, isso eu já descobri. Às vezes, quando me falam de algo que não lembro, acabo lembrando do resto da história. Mas no geral, sozinho, lembro apenas do que realmente importa. Meu pensamentos estão muito mais construtivos e criativos. 






Quero dizer, com essa postagem, que existe esperança de felicidade para um suicida. E não, não precisa ser morto. Se alguém, que não tentou se matar, me dissesse isso, eu diria que é balela, menosprezaria, afinal, pensaria eu: “a verdade é que essa pessoa não entende nada, não sabe pelo que estou passando”. Mas eu tentei, e fico feliz de dizer que não deu certo. Outras coisas, no entanto, deram, como o ECT e o ajuste de medicamentos. E tenho que repetir: Existe esperança de felicidade para um suicida, e esta não é a morte. Beijos aos que lerem.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Relato de Um (Quase) Suicídio



Estou eu, aqui, voltando ao assunto Suicídio. Mas acho adequado, já que hoje é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, no Setembro Amarelo, um movimento mundial criado para promover a discussão do assunto, a conscientização da população, e a prevenção do mesmo. Ás vezes, as pessoas não entendem o que passa na cabeça de uma pessoa que tenta se matar. Muitas vezes, quem faz isso, é vítima de preconceito, taxada de fraca, de carente de "atenção", seja antes ou depois da tentativa. As vezes, antes de chegar as vias de fato, algumas pessoas tentam conversar com alguém, porém a incompreensão é como uma barreira que faz o suicida sentir-se ainda mais culpado, e, em muitos casos, tentativas de fazê-lo ver as coisas "em perspectiva" só aumentam seu sentimento de inadequação e desvalia. Abaixo, o relato de como foi minha tentativa e o que eu senti. 




"Está tudo tão confuso. Estou aqui na casa do vô e da vó. Acabei de lembrar, não sei bem porque, os momentos antes de tomar os medicamentos que configuraram a tentativa de suicídio de uns dias atrás. Me lembrei do momento em que, calmamente, tirei as embalagens de medicamento da caixa organizadora onde ficavam. De quando tranquei a porta do quarto, liguei a música do celular e coloquei os fones. Sentado na cama, tive aquele momento de dúvida, que deve dar em todo mundo que faz isso. Tirei as cartelas das caixas e fiquei encarando-as. Sem chorar, para não ser ouvido, comecei o trabalho repetitivo, chato, frenético, assustador, que eu odiaria (não gosta de trabalhos repetitivos), caso não fosse o último que eu faria. Não lembro quantas caixas foram, mas agora sei que foram insuficientes. Lembrei agora de alguns anos atrás, quando eu tinha uma reserva imensa de remédios que eu tomava na época e tinha conseguido de amostras. Eram muitas caixas de um medicamento forte. Muitas mesmo e eu os escondia no meu quarto. Um dia uma pessoa encontrou e me perguntou por que os guardava escondidos ali. Respondi, aparentemente brincando, mas dizendo a verdade: "Ora, para o caso de querer abortar a missão."

O detalhe é que na época eu estava bem. Como agora.

A verdade, é que esse pensamento me acompanha vida inteira, desde que me entendo por gente, e humano consciente e pensante. Como se a ideação suicida fosse uma segunda natureza, uma parcela daquilo que define quem sou, da minha essência. E tem uma parte minha que luta contra "minha luta para arrancar esta essência", que me faz sentir que isso seria como me mutilar. Não cortes de estilete no braço, mas um braço ou uma perna ou ambos arrancados.

Portanto, tomei a decisão. Não total. Não era uma escolha total, era mais com uma roleta russa. Na verdade tive tanto medo, principalmente de ficar vivo em uma situação ainda pior do que aquela na qual me encontro, por ter tomado o suficiente mas ter sido salvo e ficado sequelado, que deixei duas caixas do medicamento intocadas. Mas voltando ao relato, tomei o primeiro gole da minha garrafa d'água e engoli cerca de três quartos dos comprimidos. Daí fui na sacada sentei e a Laura, minha gata, que estava o tempo inteiro do meu lado, subiu no meu colo mais uma vez. Depois voltei, tomei o resto dos comprimidos, tudo ficou nebuloso e não me lembro de mais nada."




E esse é o relato. Vou deixar que ele fale por si. E o fato de eu estar aqui escrevendo, fale por mim e pelo que sinto agora, pós internação e pós ECT. Beijos ao que lerem.





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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Wall-E e Eu



Ei, alguém aí já assistiu, a animação digital, Wall-E, da Disney? Ontem minha melhor amiga Jenny, veio aqui em casa e coloquei para assistirmos. Eu já havia visto o filme (antes do ECT, ou seja, lembrava-me muito pouco) junto com o príncipe, que aliás foi quem me apresentou esse filme, que na época eu nem queria ver. 


Bom, o filme trata de temas sombrios, mas com a leveza característica dos filmes Disney. Em minha opinião, apesar dessa leveza, ele tem uma profundidade como nenhum outro desenho da Disney que eu tenha assistido antes. 


Ele trata da história de um simpático robozinho, chamado Wall-E, que tem a função de coletar e compactar lixo. Wall-E vive em nosso planeta, num futuro possível, onde só sobraram montanhas de lixo compactado da altura de arranha-céus, uma simpática baratinha (afinal, elas sobreviveriam até mesmo a um Holocausto Nuclear, né?) e Wall-E. Os seres humanos fugiram, num cruzeiro no espaço, que deveria durar cinco anos, porém que já dura 700 anos. O planeta Terra, quando da partida dos seres humanos, não estava mais apto a comportar vida. Exceto no caso das baratas. E do Robozinho.


Um dia, Wall-E, encontra uma planta. VIVA e crescendo. Para ele isso nada significa, mas para EVA, a robozinha casca grossa que chega do espaço para coletar qualquer coisa que indique que a Terra está apta novamente a receber os seres humanos, isso é a missão de sua existência. Seu propósito de vida. Ou não? Então, do encontro dessas duas inteligências artificiais, nasce o amor. E a esperança da Terra.


Não vou contar todo o filme, afinal, daí perde a graça (preguiça).


O Importante é que o filme nos faz pensar sobre esperança (para mim, que já tentei o suicídio duas vezes, isso é muito positivo).


Também sobre solidão. Às vezes eu sinto como se estivesse sozinho, exatamente como Wall-E, mesmo que no meu caso esteja em um mundo cheio de gente.


Amor, afinal, ele pode nascer das formas mais inusitadas, desde que tenhamos perseverança.


Aliás, perseverança, é tudo na vida. Sem elas, não há amor ou esperança que salve.


O filme também fala de alienação. De como nos deixamos ser manipulados e enganados pela grande massa. “Vermelho é o novo azul”


A parte em que EVA descobre tudo que Wall-E passou para salvá-la, é especialmente tocante, pois ela se coloca no lugar dele e a questionar sua programação, sua missão e suas prioridades.


Me fez pensar em como devemos valorizar o mundo que (ainda) temos.


O que mais me comoveu, no entanto, foi quando o Wall-E sofre um dano mais grave e acaba voltando a sua programação original, esquecendo de EVA e de tudo mais que viveu. Achando ser apenas, novamente um compactador de lixo. Uma espécie de HARD RESET. Foi assim que me senti quando fiz o ECT. Como se tivessem resetado meu cérebro para versão de fabrica. Agora, estou aos poucos lembrando das coisas que me mencionam ou contam, mas a verdade é que é estranhíssimo. TUDO. No geral é positivo o resultado. Mas essa amnésia que vem junto com os benefícios é extremamente perturbadora. Por isso disse que de certa forma me sinto mutilado. 


Chorei assistindo, mas ao mesmo tempo senti esperança, perseverança e também AMOR. Pelo mundo, pela natureza, por quem me rodeia, pela minha família, pelo Príncipe e até mesmo pelas baratinhas resilientes.


Portanto, recomendo o filme. Animação de ótima qualidade e dá o que pensar. Beijos aos que lerem.
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domingo, 6 de setembro de 2015

Paranóia Singular





Tava tudo muito bom para ser verdade. A paranóia voltou. 


Não que ela tivesse sumido, Claro que ainda sentia pensamentos paranóicos, a diferença é que o impacto deles sobre mim parecia estar bem menor agora. Também eles diminuíram, consideravelmente, em frequência. Mas ainda enchiam. 


Só que hoje de manhã, senti um pensamento desses incomodar novamente, com muita força. Quer dizer, eu digo que é um pensamento paranóico, porque de certa forma duvido do fato de ele ser paranóico. Tem um lado meu que pensa que ele é real, o lado que faz eu ir lá no modem e desligá-lo para ver o que acontece. “Será que meu pai, ou outras pessoas que estão tentando me manipular, através do controle de meu aparatos tecnológicos e das minhas redes sociais, vão conseguir caso eu reinicie o modem?” Me pergunto. Depois eu mesmo respondo. “Provalmente, sim, mas pelo menos vou atrapalhá-los e incomodar de alguma forma.” 


Isso por que o computador, mais uma vez, não me obedecia. E começo a imaginar que é alguém (provavelmente meu pai), que o está controlando remotamente. Daí dá vontade (chego a me imaginar fazendo) de quebrar o computador dele e de todo mundo aqui em casa. Pois os meus estragaram, o que também imagino ser obra de outra pessoa (como meu pai). E daí minha cabeça vai longe. Não me perguntem as motivações para ele fazer isso, pois podem ser tantas. Afinal, sou filho dele, gay, esquizoafetivo, dependente químico, não estou trabalhando fora, minha arte ainda não começou a me dar lucro, moro com ele e sou sustentando por ele e minha mãe.


Mas tem diversos motivos pelos quais ele NÃO faria isso. Achar essas motivações, é a ferramenta que me faltava para diferenciar a paranóia, da realidade. Pois as motivações do “NÃO” acho bem mais difíceis de encontrar, do que as do “SIM”. Depois do ECT melhorou bastante, mas fazer esse discernimento ainda não é fácil. Até consigo diferenciar, só que não tanto pela lógica, mas por outro motivo.


Estou mais “manso”. O “COMBO” medicamentos+ECT+internação tiveram esse efeito. Consigo, de certa forma, “aguentar no osso”. Muitas vezes, quando vem esses pensamentos, não analiso mais. Apenas pego-os em minhas mãos e guardo no fundo do baú, que fica no fundo do armário, do fundo do porão, do fundo da minha mente. Se isso é positivo ou negativo, só o tempo dirá. Por enquanto, é o que me ajuda a ficar em paz com quem me rodeia.


Claro que, de certa forma, me sinto mutilado por isso. Como se estivesse me anulando. Muito mais mutilado do que quando eu cortava meus antebraços. 


Pelo menos, agora não estou paralisado por conta das “paranóias”. Estou produzindo, escrevendo, lendo e não só desenhando, mas também pintado. Talvez a verdade seja que eu convivi tanto tempo com minha doença, que (ainda) não sei como agir, agora que seu funcionamento não predomina. Confesso, no entanto, que morro de medo que, com a doença, vá junto meu diferencial, minha luz própria, meu brilho, minha singularidade. Aquilo que me torna único. Penso: “Talvez ser manso, seja o normal, o mais comum. Mas será que eu quero ser normal? Será que quero meu encaixar naquilo que é comum? Mas me pergunto se vale a pena ser único a um preço tão alto?”


Fica a dúvida. Beijos aos que lerem.


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sábado, 5 de setembro de 2015

Fobias



Hoje ,meus pais e eu viemos na casa dos meus avós para almoçarmos juntos e passar o dia. Chegando, nos avisaram que meus tios viriam também.

Amo meus tios, mas infelizmente tenho uma coisa chamada fobia social. Pouquíssimas são as pessoas, mesmo dentre as que mais amo, que não me ativam esse “mecanismo” comportamental. Então, analisando minhas lembranças, percebi que a fobia social é, para mim, problema muito mais antigo do que eu pensava. Creio que veio desde a infância. Lembro-me que na maior parte das festas e reuniões a que eu comparecia, sentia-me deslocado, isolado, mesmo quando cercado de pessoas. Na verdade, quanto mais pessoas houvessem ao meu redor, maior a sensação de inadequação que eu sentia. Acabava, então, fugindo para um canto onde ficava lendo, ou desenhando, ou escrevendo, e, como dizem hoje em dia, “apenax observando”.

Claro que houveram períodos em que consegui socializar melhor, mas não era o que predominava em meu comportamento e sentimentos. E olha que essas festas em sua maioria eram de família ou similares.

Isso não parou quando cresci. Na verdade, a medida que eu ia me descobrindo e entrando na adolescência, foi se acentuando, o que fazia eu descontar as ansiedades, e tristezas decorrentes disso na comida, depois no cigarro, no álcool e, por fim, na maconha.

Não pensem, no entanto, que essas substâncias realmente me ajudavam a socializar. Quando eu não estava no pronto socorro por chegar quase ao ponto de coma alcoólico, estava chapado dentro de alguma boate, num canto “viajando”. Sozinho. Acabei conhecendo algumas pessoas assim, é claro, mas acho q se estivesse “de cara”, talvez tivesse conhecido pessoas diferentes, feito escolhas diferentes, e talvez muitas coisas em minha vida houvessem sido diferente. Tudo isso é hipotético, claro. Nem vale a pena discutir, mas me parecem possibilidades razoáveis.

O que interessa, é que além de apenas mascarar os problemas, as drogas que (ab)usei, a longo prazo, desencadearam meu primeiro surto psicótico e agravaram muito mais meu problemas de fobias, paranoias e transtornos de humor. Se hoje minha doença evoluiu para meu diagnóstico atual, agradeço boa parte a THC.

Graças a Deus, alguns anos atrás, tornei-me abstêmio e até mesmo o cigarro consegui largar.

Agora, espero que a eletroconvulsoterapia (ECT), a qual me submeti, me ajude a vencer meus fantasmas, fobias e monstros internos (como a Doença da Dependência Química). Espero conseguir conviver com pessoas novas e, sem contar os minutos antes de dar uma desculpa e fugir, apreciar suas companhias como um sopro de ar fresco em meu isolamento. Espero conseguir andar na rua sem ficar apavorado. Mas, acima de tudo, espero sentir meu coração sadio o suficiente para poder me apaixonar, amar de novo, me divertir. Enfim, VIVER!

Peço que torçam por mim. Beijos ao que lerem.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"Novo"



Tudo parece novo. 

Não sei se é por conta das medicações estarem bem ajustadas, por eu ter feito as sessões de ECT ou ainda por causa do período que passei internado, com outra rotina e convivendo com outras pessoas que não minha família. 

O ponto é que está tudo parecendo mudado em vários aspectos e, aparentemente, para melhor. 

O que mais me chamou atenção foi como tornou-se (ainda) mais prazeroso para mim ouvir música, que é uma das minhas maiores paixões. Algumas músicas que eu não andava mais gostando, estão me chamando muita atenção agora, mais uma vez e outras, de artistas que gosto, mas os quais não andava curtindo seu material mais recente, acabei começando a gostar depois de ouvir novamente. Não sei bem se isso significa que estou me tornando um conformista, que se contenta com qualquer coisa, ou que estou evoluindo com o mundo, pois a música está sempre em constante mutação e evolução, suponho. 

Me sinto mais disposto também para ler, para escrever, para as artes plásticas, seja através de minhas telas ou em desenhos. 


Até mesmo para executar algumas tarefas do dia a dia que às vezes cabem a mim. 


Ontem fui na psicóloga e li para ela alguns trechos dos textos que produzi durante a internação. conversamos sobre as coisas lidas e chegamos à conclusão de que talvez seja produtivo se eu expor de alguma forma aquilo que escrevo. A maneira que mais me agradou de fazer isso, foi um blog e por isso estou aqui. Assim nasceu essa página. 

Espero conseguir escrever coisas interessantes que vocês apreciem. Ou não. Daí depende quem é o leitor também, né.

Bom, vou ficando por aqui. Depois escrevo mais. 


Mas, só para finalizar, realmente tudo parece novo, como disse no início. 

Algumas coisas tenho certeza que são, entre elas, minha vida. Sinto estar em um novo começo, devido a minha nova forma de encarar o mundo. Afinal, se a vida é feita de ciclos, estamos sempre terminando algo e começando coisas novas. Como esse blog que espero me ajude a evoluir cada vez mais. Beijos aos que lerem.
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