domingo, 11 de setembro de 2022
Eu, Autista.
sábado, 3 de setembro de 2022
Quando Desisti de Ser Trans e Meu Primeiro Beijo
Quando eu tinha entre 3 e 7 anos, acredito que foi o período que comecei a, digamos assim, performar minha identidade de gênero. De uma forma infantil e instintiva, percebi que minha principal identificação e afinidades não eram com pessoas do sexo masculino, mas sim do feminino. Meus modos, interesses, maneira de fazer muita das coisas, como desenhar e brincar eram também de uma forma na época considerada tipicamente feminina, se formos analisar os estereótipos de gênero mais padronizado que vigia na época. E meu pai notava isso e não gostava nada. Não permitia que eu brincasse de bonecas e, quando aprendi a desenhar e fiz minhas próprias bonecas e princesas de papel, que eu recortava para brincar e guardava cuidadosamente num saquinho transparente, ou quando aprendi com minha tia, a mesma que me ensinou alguns dos primeiros traços de desenho que depois fui aprimorando, a desenhar bonecas para vestir, desenhando com esmero elas de sutiã e calcinha e as roupinhas com abinhas que se dobravam atrás da bonecas, meu pai rasgava elas. Eu já contei isso na minha última postagem, mas volto a esse ponto pois isso me marcou muito, já que por diversas vezes me dediquei ao trabalho de criar essas bonecas, e tentar escondê-las de meu pai, mas ele sempre acabou achando e elas sumiam. Minha mãe eu lembro que me dizia para guardar onde ele não achasse, mas esse lugar não existia. Ele fez isso tantas vezes que acabei desistindo de recortar as bonecas que desenhava para brincar. Assim, continuei a desenhar, mas então comecei a fantasiar as brincadeiras e histórias apenas na minha mente.
Algumas vezes, quando via minhas primas, tentava brincar de bonecas com elas, mas quando os adultos me viam com uma Barbie era certo que haveria uma reprimenda e portanto não dava muito certo a brincadeira. No geral eu era uma criança bastante solitária, sem amigos, pois sofria bullying desde muito cedo e acabava ficando um pouco isolada em espaços com outras crianças estranhas. O bullying, adivinhem, era LGBTfóbico e apesar de as vezes sofrer de alguns primos isso também, no geral eles me integravam às brincadeiras. Também tenho dois irmãos, um mais velho que durante a infância era abusivo e um mais novo, com quem sempre brinquei muito. Mas no geral nessa época eu era meio solitária se não fosse pelo meu irmão.
Também nesse período, lá pelos 6 anos, dei meu primeiro beijo. E foi num menino. Lembro que ao lado do prédio onde eu e minha família morávamos tinha uma colégio com uma pracinha no pátio da frente, com uma daquelas casinhas pequenas que a crianças consegue entrar, e eu e um menino negro, estávamos nessa pracinha brincando. Realcei o fato de o menino ser negro pois eu me sentia atraída por meninos negros. Digo atraída no sentido de me aproximar. Creio que por no endereço que morávamos anteriormente, ter sido vizinha de dois meninos irmãos negros que eram o mais próximo de amigos que tive na época, pois brincávamos juntas e as vezes eu ia na casa deles. Isso num bairro super família que vivíamos antes de eu completar 5 anos. Também notei hoje, analisando, que algumas vezes eu acabava tendo aproximação com crianças que de uma forma ou outra acabavam sofrendo algum tipo de bullying ou rejeição. Muitas vezes negros também tem lidar alguma espécie de preconceito e discriminação desde a infância, inclusive no ambiente escolar e talvez isso gerasse uma certa identificação. Digo isso pois nessa mesma época, no ano anterior se não me engano, quando estava no Jardim B, havia passado um período, que achei maravilhoso, "amiga" de um colega, também negro, que estava com catapora e que por isso ninguém queria se aproximar. Não entendam mal, não estou dizendo que eu era uma santa por isso, e nem que ficava feliz por ele estar com catapora, mas eu era isolada pela turma, ele estava sendo também, achei natural brincarmos juntos e pensei ter feito um amigo. Porém depois que ele melhorou eu lembro que um dia fez bullying comigo junto com as outras crianças e eu vi que a amizade não havia durado. Entendo que talvez tenha sido por pressão social para ser aceito, mas o fato é que fiquei muito magoada e lembro disso até hoje. Mas voltando ao beijo, um ano depois, com 6 anos, eu estava brincando com outro menino negro que parecia gostar de mim e de quem eu gostava também e lembro que nós entramos na casinha da pracinha e não sei se estávamos brincando de casinha, tipo pai e mãe ou o quê, mas acabamos dando alguns beijos selinho ali e depois atrás da casinha. A sensação foi vagamente estranha e maravilhosa. Foi aqueles beijos bem infantis mesmo, onde nos inclinamos para a frente e fazemos biquinho, mas tudo muito inocente. Lembro que tinha algo a ver com a brincadeira e que foi muito bom, só isso. Porém eu não sabia que meu irmão mais velho viu. Ele estava por perto (o prédio onde morávamos era ao lado) e estava me espionando e me disse para parar e avisou que ia contar para meu pai. A partir daí não lembro do que aconteceu logo a seguir, pois eu tinha noção de que estávamos fazendo algo secreto, escondido, talvez "errado", só não tinha noção de qual o grau da infração. Mas lembro que fiquei assustada pelo jeito que meu irmão falou e pelo menino ter ficado asssustado também.
Acabei tendo que ir para casa, fiquei 15 dias de castigo sem poder sair para brincar e fui proibida de brincar com o menino, tipo, pra sempre. Além disso recebi uma reprimenda heteronomativa e LGBTfóbica que me ensinou que aquela era uma das infrações mais graves que poderia haver. Não me lembro se dessa vez apanhei, mas lembro que fiquei muito impactada pelo resultado de um gesto de afeto entre duas crianças. E assim e o menino com quem tive meu primeiro beijo fomos afastados para sempre sem que eu entendesse muita coisas além de que a forma como eu era e as coisas que eu sentia eram erradas. Pois apesar de não me recordar exatamente daquilo que foi dito para mim, sei que que a conversa passou pelos tópicos gênero e sexualidade (tu é um menino, menino não beija menino, essas brincadeiras não são de menino, tu tem que se comportar como menino...) e aos seis anos de idade eu fui parar numa psicóloga. Meu pai, antigamente, dizia que me colocou na psicóloga para ver o que tinha de errado comigo. Pelos motivos que citei no início, as coisas "de menina" que eu fazia. Coloco entre parênteses o de menina, pois hoje sabemos, pelo menos pelo que entendi, que não é necessariamente o gênero que define o comportamento e nem o comportamento que necessariamente define o gênero. É tudo muito subjetivo. Mas meu pai queria que ela resolvesse o que estava errado. Hoje ele diz que era para eu aprender a lidar aquilo, mas durante anos o discurso foi esse outro. Com o tempo e muita conversa ele acabou entendendo que eu era daquele jeito e pronto. Mas a verdade é que houve muitas tranquilizações, ao longo dos anos que aquilo não queria dizer que eu fosse viado ou transexual. E eu ficava sabendo sobre essas conversas deles com minha psicóloga. Não me entendam errado, a minha psicóloga era ótima, me acolhia e me permitia ser eu mesma nas consultas. Através dela aprendi a escrever histórias, costurar e finamente tive acesso uma boneca. Era a boneca de uma família de bonecos de pano padrão pequenos , do tipo que os psicólogos infantis usam, e aprendi a costurar lãs na cabeças delas para colocar cabelos coloridos, fazer tranças. Posteriormente elas me deu essa boneca e consegui guardar ela em casa. Mas era como se pesasse sobre a "permissão", pois meu pai não rasgou ela, a promessa muda de que eu seria um menino cisgênero heterossexual.
E foi então que lá pelos 7 anos de idade abandonei a "questão de gênero" que fervilhava na minha cabecinha infantil e entendi, frente a toda pressão, que eu tinha que ser menino. Que essa era minha única opção. E na minha cabeça nasceu uma coisa que ia me atormentar pelos 29 anos seguintes, chamada ideação suicida. Pelo menos é como vejo hoje, aos trinta e oito anos, após aos 36 ter conseguido me libertar do monte de amarras que me prendiam e ter resolvido remexer a questão de gênero, ter me assumido como uma menina transgênero não-binária, adotado exclusivamente o pronome feminino e roupas femininas e estar cada dia mais descobrindo minha feminilidade. E isso me dá forças. Durantes anos tive tentativas de acabar com tudo. Mas agora estou libertando a menina que esteve aprisionada por anos numa torre dentro de mim, e isso me fortalece para enfrentar as coisas com um olhar diferente, um olhar de esperança, de alguém que está realmente em busca da plenitude, pois antes, como eu poderia viver plenamente, ser plena, se nem minha real identidade de gênero eu conseguia viver? Claro que ainda tenho momentos de dúvida, depressão e tristeza. Continuo lutando contra outras questões. E as vezes tem questões relativas a transgeneridade, como a transfobia. Quer dizer na verdade, nada muito diferente do que eu já enfrentava, pois sempre sofri LGBTfobia pelo meu jeito pura e simplesmente , nunca por demonstrações de afeto com rapazes ou algo assim. Portanto já era o mesmo tipo de masculinidade tóxica e ódio que jogavam contra mim. Mas agora eu não tento mais performar masculinidade. Eu sou feminina e sinto-me mais forte e feliz para lutar contra o ódio e preconceito. E para me manter bem o máximo possível frente a eles. E a ideação suicida ficou para trás, acredito que para sempre, que a Divindade me ajude para que seja assim. E hoje, meu pai, após 2 anos se negando a aceitar o fato e lutando contra com todas a forças, parece ter entendido que tem uma filha, e que de ela poder ser isso, uma menina, depende a felicidade dela. E ele e minha mãe pouco a pouco a pouco estão aprendendo a usar o nome que escolhi e o pronome feminino para se referir a mim. O nome inclusive eu retifiquei na certidão de nascimento e em todos meus documentos, assim como consegui colocar na certidão de nascimento o gênero como não-binário. Escrevo esse texto para me sentir melhor, compartilhar e quem sabe ajudar alguém que esteja precisando. Fico por aqui. Beijos e obrigada aos que lerem.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
A Mulher Que Há Em Mim - Relato De Uma Transgênero Em Descoberta
Olá gente. Hoje estou aqui para falar de mais uma faceta de quem sou, que, atualmente (e em muitos outros momentos da minha vida), ocupa um espaço gigante na minha cabeça: O meu gênero.
Recentemente me assumi como transgênero não-binário e muitas pessoas ou simplesmente não aceitaram a ideia (como se isso coubesse a elas!) ou não entenderam o que eu estava dizendo. NORMAL, até relativamente pouco tempo, nem eu e nem uma grande parcela da sociedade estava disposta a pensar ou aceitar que gênero NÃO É sempre algo absoluto ou definido pelas características físicas com as quais nascemos. Mas vejam bem, NORMAL não quer dizer correto, pois quem tem que aceitar-se é a própria pessoa, cabendo aos outros respeitar aquilo que cada um é dentro de sua individualidade como ser humano. Portanto, mais do que na hora de eu, pelo menos, pensar sobre isso e de todo mundo parar de querer dar pitaco naquilo que os outros são.
Mas, como muitas pessoas próximas que gostam de mim se interessaram por entender do que eu estava falando e pareceram meio confusas, resolvi dar mais uma pesquisada e explicar um pouco daquilo que aprendi sobre a trangeneridade e sobre mim mesma. Pois acho que eu, apesar de uma transgênero não-binária, prefiro ser chamada por pronomes femininos, não masculinos. Mas, também como alguém que se identifica atualmente como não-binária, não renego os pronomes masculinos e deixo, pelo menos por enquanto, a cargo dos outros a decisão de qual pronome usar, até por que, vivo com meus pais, e o meu pai especialmente está sendo difícil (ele, mas creio que também PARA ele) como sempre, e estou gradualmente efetuando as mudanças na minha vida que estão trazendo minha felicidade. Também tem o fato que eu mesma costumo referir a mim mesma com o pronome masculino na maior parte das vezes. Passei 36 anos, devido a diversos fatores, reprimindo meu gênero e as coisas até para mim mesma às vezes demoram a se adaptar. Mas confesso que quando usam o pronome feminino para me designar, apesar de minha aparência não ser necessariamente ou exclusivamente feminina, sinto um prazer secreto e especial. Bom, agora, deixou pelo menos de ser secreto.
Quando digo que "passei 36 anos", é por que sempre me identifiquei muito mais com o gênero feminino, apesar de me portar como rapaz. O que sabia até então é que era gay e achava que isso fosse comum, mesmo quando descobri que não é necessariamente uma regra e que ser homossexual é uma definição de sexualidade, não influindo, necessariamente, na definição de gênero. Sempre tive mais amigas do que amigos. Apesar de que amigos íntimos tenho poucos, por motivos que pretendo explanar em postagens posteriores. Na verdade diria que sempre transitei e me relacionei mais e melhor com mulheres, não com homens, fossem eles héteros ou gays. Minha identificação com o sexo masculino sempre foi muito mais limitada do que a com a garotas em geral. Quando era criança, me lembro de observar e admirar, desejoso de poder experimentar também, diversos atributos que por muito tempo, ou dependendo da época, são considerados mais tipicamente femininos, como cabelos compridos, maquiagem , adereços como joias ou bijuterias e determinadas roupas. Quando muito pequeno o desejo de experimentar transbordava e me lembro de utilizar camisetas compridas com cintos na cintura dividindo-as, de forma a tentar configurar algum tipo de saia ou vestido curto, apesar de sempre evitar estar perto do meu pai nesses momentos, pois ele já havia me censurado por esse comportamento, ainda que hoje em dia ele diga não lembrar-se disso e que nunca dei nenhum aviso de ser transgênero ou ter essa fascinação e identificação pelo mundo feminino. Permitam-me rir aqui, pois eu me lembro de meu pai rasgando meus desenhos quando eu comecei a desenhar aos 2 anos e lá pelos 3 ou 4 anos tentava retratar princesas de vestidos FABULOSOS e príncipes ENCANTADOS que as salvariam de suas atribulações. Eu também, como ele mesmo conta, "não desenhava como menino e tinha algo de MUITO ERRADO na forma como eu desenhava" as casinhas detalhadas com janelinhas com cortininhas cor-de-rosa e vasos com minúsculas florezinhas coloridas e céus com nuvens fofas e sol com carinhas felizes, ao invés de desenhar carrinhos, naves e soldadinhos ou guerreiros como meus irmãos faziam. Eu até desenhei guerreiros, na verdade, quando mais velho, mas na verdade era normalmente um guerreiro encarregado de proteger um lindo, porém delicado e frágil, "príncipe", já que eu não podia ser princesa na minha imaginação, como já então era nas minhas mais secretas (ou não) fantasias internas. Assim fui crescendo e me reprimindo cada vez mais na questão de gênero, enquanto tentava a todo custo me encaixar na figura masculina que deveria, mas sempre falhando miseravelmente apesar de na maior parte do tempo me vestir com roupas de rapaz e algumas vezes de menino.
Na adolescência, me assumi primeiramente como bissexual para meus parentes, e tenho que rir aqui pois, na verdade, minha única namorada de verdade foi quando tive 9 anos e apesar de nos beijarmos no sofá da casa dela, meu momento preferido, não por culpa dela, que era linda e uma querida, (lembremos que ambos eramos crianças) era quando íamos brincar com suas Barbies e apesar de ela querer que eu fosse o Ken, minha "namorada" generosamente me emprestava a Barbie noiva, ou a Barbie grávida (lembram, a que tinha um bebê na barriga postiça que podia ser retirado de lá) para que eu pudesse me sentir mais feliz na brincadeira. Isso durou um ano e lembro-me que a mãe e a vó dela me adoravam, e todos os dias me davam um lanche sempre muito aguardado e que nunca implicava em nenhuma cobrança, pessoas generosas que eram, permitindo-me viver coisas que talvez eu não pudesse viver em nenhum outro lugar além daquele. E a verdade é que na época de minha adolescência eu me assumia para mim mesmo e para minhas amigas como gay, não como bissexual, tendo sido isso apenas um subterfúgio por medo da reação de meus pais, principalmente da de meu pai. Até fiquei com algumas meninas, no início de minha adolescência, mas, na verdade, ainda que eu admirasse suas belezas físicas ou apreciasse suas companhias, quando não estávamos tendo que nos beijar, foi por uma parcela muito pequena de experimentação e na maior parte por ter cedido às pressões sociais, infelizmente, para mim e para elas, pois inevitavelmente, se havia algum tipo de sentimento mais sério por parte delas, ambos sofríamos. Mas também não foram muitas e na maior parte das vezes eu procurava, dentro do possível para um adolescente na minha situação, preservá-las de sofrimentos maiores.
Então, quando "me assumi bissexual" houve uma grande rejeição de meu pai que, desde que eu era muito novo, mantinha enorme afastamento sentimental de mim e com quem eu tinha muitos conflitos por conta disso há um longo período. Ele, na maioria do tempo, esteve presente apenas como o provedor da casa em relação a mim e realmente me forneceu o necessário para minha sobrevivência e às vezes um ou outro supérfluo ou presente. Era certa sua quase total ausência na área afetiva e suas posturas e atitudes extremamente brutas e ignorantes, quando era chamado a esse papel. Ele estava presente fisicamente, algumas vezes, porém mais como uma figura de julgamento e condenação, não como um pai de verdade. Eu tinha apenas um 3 em 1, um banco, com todas as posturas unilaterais e "desinteressadas" (Faça-me rir) de um banco, uma espécie de "rígida" polícia da "moral e bom costumes" e por fim um juiz parcial, preconceituoso e quase sempre intransigente. Só que isso tudo cobrou de mim um preço muito alto na construção da minha inteligência emocional e de muitos outros setores da minha vida. Eu FIZ terapia desde os 6 anos de idade, mas não tem 1 ou 2 horas de terapia por semana que substituam a presença AMOROSA E AFETIVA de um pai na formação de uma criança ou adolescente. Hoje entendo um pouco de suas limitações, MAS isso não muda a realidade que vivi também e que, assim como a DELE, o levou a agir da forma que agiu comigo, levando-me a enfrentar inúmeras coisas que talvez não tivesse que ter enfrentado de outra forma.
E esses foram alguns dos motivos que me fizeram levar 36 longos anos para sair da prisão de medo, repressão e preconceitos imputados a mim e assumir minha transgeneridade. E como podem ver ainda uso o gênero masculino para referir-me a mim mesmo, principalmente quando estou lidando com meu passado, pois querendo ou não durante muitos anos assumi o papel de um menino. Não de um homem, vejam bem, mas de um menino, um menino forte, possuidor de beleza, sensibilidade, mas também justamente por isso, de muitas falhas e fragilidades que o levaram a errar e cair algumas vezes no caminho. Que se recusava a crescer, pois se crescesse e se tornasse um homem, estaria se mutilando, amputando de si talvez a parte mais bonita que possuia e de onde se originava e ainda origina a maior parte da força para ter conseguido sobrevir por esses 36 anos: A mulher que há em mim.
O menino no momento ainda existe e passou por muita coisa, porém no momento, quem está desabrochando, como uma flor às vezes consegue surgir em meio à adversidade e dar sua beleza para o mundo em um momento tão difícil, mas também tão lindo, como está sendo esse na minha vida, é essa mulher tão bela e resiliente, como algumas vezes certas flores de rara força o são.
E é essa mulher que eu hoje celebro, e esse menino também, que foi tão necessário na minha jornada e que me mantiveram vivo até agora, tendo conseguido transpor todos obstáculos e dificuldades que acabei encontrando nesse mundo muitas vezes tão árido e sem cor em que vivemos.
Porém agora cansei de escrever e creio já ter escrito o suficiente para uma postagem, por isso fico por aqui, me despedindo e avisando que pretendo voltar ao assunto numa próxima postagem para tentar explicar um pouco sobre minhas descobertas relativas a classificação de transgênero, não-binário, se é que não-binário é a classificação correta definitiva, pois estou em processo de descobertas e não estou fechando questão sobre assuntos referentes a gênero, exceto na parte da trangeneridade. Essa é uma certeza, que só tive a coragem e compreensão para aceitar agora, mas que Graças à Deusa, a Deus e a minha força, estou aqui para aceitar e lutar por ela. Por quem sou na minha essência mais profunda, forte, bela e resiliente. Beijos aos que lerem.