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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Duplo (Dor que Corrói)



Pode ser que, as vezes, aquilo que preciso e/ou escolho e/ou peço para adquirir, não pareça essencial. Mas na maioria das vezes é. Em algumas delas ao meu trabalho, mesmo que esse trabalho não pareça verdadeiro e/ou importante e/ou sério e/ou relevante.

Mas ele é tudo isso. Mesmo que eu não tenha, por enquanto, nenhum retorno financeiro, ele é verdadeiro e importante e sério e relevante, para meu bem-estar, meu tratamento, meu coração e minha alma.

Ainda que me bem-estar, meu tratamento, meu coração, e minha alma, às vezes, não pareçam essenciais e/ou verdadeiros e/ou importantes e/ou sérios e/ou relevantes.

Mesmo que achem que sou um vagabundo, um marginal que apenas finge ter uma doença. Mesmo que eu pareça aquela Anjo Rebelde criança que finge estar doente para não ir à escola, entre ele e eu há um mundo de distância. A única coisa em comum, que permanece, é o medo, o horror, o desânimo e a desilusão com a vida. Ou talvez seja com o mundo. Quem sabe com ambos. Só que agora, depois de adulto, com as feridas do tempo, algumas cicatrizadas, outras não, podemos adicionar a revolta e o ódio. Falo desses sentimentos por que também foram semeados na infância. E muitos bem regados, pela intolerância, crueldade, preconceito, maldade e descuido de crianças e adultos que cruzaram meu caminho. As pessoas falam em lutar, como se eu fosse alguém que não fez isso, desde o jardim de infância. Pois lembro-me que desde de então já enfrentava o bullying, a rejeição, a incompreensão e a exclusão, e não só na escola.

É uma sorte eu estar vivo. Muitas crianças, adolescentes, de tanto ser espezinhados, primeiro tentando pedir ajuda, até um adulto lhe explicar o quanto seu comportamento de pedir ajuda é vergonhoso, e então, sem recorrer a mais ninguém, acabam continuando a ser pisados e humilhados até a morte. Até chegar o momento em que acreditam que realmente não valem nada, que são um lixo, que aqueles que os perseguem, são melhores e mais fortes e mais capazes do que eles. Crianças, adolescentes e adultos que escolhem a morte como suposto alívio. Como um jeito de dar um basta em tamanha degradação. Ou, ainda, livrar o mundo da imundície e inutilidade de suas presenças.

Me considero um sobrevivente.

Só que hoje em dia, o sentimento que predomina, é o medo do futuro. Não tenho nenhuma segurança. Quando digo que sou parcialmente incapaz, quero dizer que não sou suficientemente constante e resistente ao estresse, para ter um emprego fixo. Ou uma, profissão da qual DEPENDER. E que passarei fome novamente, enfeitando a situação, como se fosse uma dieta para fins estéticos.

Em vez disso posso tentar, como já quase fiz certa vez , a profissão mais antiga do mundo. Daquela vez não se concretizou. Pode ser que dessa tenha sucesso, por, em desespero, concluir que valho muito menos do que pensei naquela vez.

Provavelmente iria recair nas drogas, moraria nas ruas, sei lá, até morrer como indigente. Mais um cadáver anônimo para encher o necrotério.

Ninguém entende, ninguém traças paralelas para (ninguém quer) entender.

A dor constante que me acompanha, como um duplo, desde que me lembro de mim como ser humano, desde que tenho consciência de mim mesmo.

A dor que agora cria inimigos por todos os lados, até dentro da minha própria família, até na minha casa, solitária e vazia. Essa dor me limita.

Mas ter limitações não é algo tão diferentes das outras pessoas. Todos tem limitações. Algumas superáveis, outras não. Até por que cada indivíduo é um indivíduo. Nem sempre o que um consegue, o outro consegue também. Mesmo que sejam aparentemente iguais. Para cada pessoa existem obstáculos, uns que são transponíveis, para todas, alguns que são transponíveis para apenas alguns. E alguns que não são transponíveis para “aqueles alguns”, mas para os restantes, sim.

Infelizmente minha dor, meu duplo, não me permite ter um emprego/profissão/ofício que me sustente e dê segurança e estabilidade a longo prazo.

Essa dor, esse duplo, sussurra coisas em meus ouvidos. Ideias em meu cérebro, desconfianças em meu senso crítico, até conseguir que todos estejam contra mim e eu não suporte mais. Ela me distrai, confunde, amedronta, corrói, destrói.

Porra, é tão difícil de entender, que fica quase impossível fazer certas coisas, enquanto você é distraído, confundido, amedrontado, destruído e corroído por dentro? E, para aquelas pessoas que pensam ou falam “Mas tu consegue ouvir música, ver TV.”:

Deixem de ser burros. Não façam leitura seletiva. Leiam o texto todo e entenderão. E só para saberem, dependendo da época, da fase, nem ver um filme eu conseguia.

Desculpem o drama. Beijos aos que lerem.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Mutilações (Derrotas Vitoriosas)



Anteontem me cortei de novo. Junto com a sensação de derrota, sinto-me vitorioso. Não quebrei nenhum objeto que me é caro, não cortei meus quadros com estilete como sinto vontade nessas horas, não briguei, não matei, agredi, seja física ou verbalmente, ninguém. 

Assim como se, caso eu me suicidasse, creio que no momento que estivesse no limiar, sentiria, além da óbvia derrota minha para o mundo, que venci, pois de qualquer forma, quaisquer que fossem as novas dificuldades que encontraria no outro lado (se houver outro lado), não seriam dificuldades arquitetadas por ELES. Eu estaria fora do alcance DELES e de suas conspirações. DELES e de seu controle. DELES e de sua falsidade e frieza calculista. Eu estaria além da incompreensão DELES. Da ignorância seletiva da qual ELE às vezes parece se orgulhar.

E isso tudo é para TI e para todos que te ajudam no teu plano absurdo, pelo fato de dependerem de TI (assim como eu), mesmo que não concordem com tua visão distorcida da minha doença e da realidade da qual ela faz parte. Por esse motivo visto o mesmo figurino que tu nessa encenação da qual fazemos parte em nossa família. Visto a falsidade e a frieza, mesmo que não consiga ser tão calculista quanto seria o necessário para não me machucar.

Então me corto e deixo claro: É para ti que faço isso. Para TE sinalizar. Para TU saber que caso um dia eu morra por minhas próprias mãos, houve 3 culpados. Minha doença, eu mesmo e por último, mas não menos importante TU. É muito difícil para mim, dizer que TE amo. Mas eu amo. Porém, por tudo que TU já fez até hoje na minha vida, nesse “tudo” que em muitos momentos foram tipos de mutilações, TE odeio com a mesma intensidade. TU disse que eu devia procurar temas mais iluminados para meus trabalhos de pintura, mas a verdade é que para cada mutilação que houve desde que me entendo por gente, houve também sangramentos, hemorragias internas em mim. Sangue que nunca saiu. Sangue que secou e transformou-se em sombras que habitam o âmago de meu ser. Quando sangro, meu sangue é negro. Como a tinta que eu costumo usar em minhas obras.

Me cortei, mas superficialmente. Nada preocupante. Meus únicos medos (desejos?) é de morrer de tétano, ou de cortar fundo demais, ou no lugar “errado”. Mas há certos medos que consigo superar, esse é um deles. Viu, apesar de tudo, TU também me inspira vencer meus medos, viu, amado, PAI?
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domingo, 13 de setembro de 2015

Estresses, Raiva e Fúria





Hoje não estava muito inspirado para escrever. Me estressei com meu pai em pleno café da manhã e, como ele é incapaz de pedir desculpas, e eu tenho sérias suspeitas de que, o motivo da incomodação, foi algo que ele fez propositalmente, fiquei bem chateado boa parte do dia. Pensei em não escrever, mas olhando meu diário, agora a noite, achei um texto que se encaixa perfeitamente com aquilo que senti de manhã e até mesmo, em alguns momentos no resto do dia. 


Graças a Deus no meio da manhã me ligou uma amiga muito querida, que apesar de agora estar morando em outro estado, ainda tem um timing perfeito. Me ajudou a melhorar bastante de humor, mesmo que não totalmente. Só não melhorei totalmente por que realmente foi bem forte o que senti depois do estresse com meu pai. Quase como descrito no texto que segue abaixo:



“31/07/2015


Sabem, as vezes sinto tanta raiva, tanto ódio, que parece que vou explodir. E nessas horas,nasce em mim um imenso impulso destrutivo, que preciso extravazar de alguma forma. Chego a me imaginar quebrando tudo ao meu redor, sejam objetos, espelhos, portas, vidros ou janelas.


As vezes sinto revolta com o mundo, com os outros, comigo mesmo. Mas é tudo isso elevado a um nível profundo e altíssimo (kkkkk), tipo level HARD.


Outra fantasia que tenho, é de mim quebrando um espelho com a testa (clichê, né?) e depois usando um dos cacos para cortar os pulsos.


ELES não imaginam, ninguém imagina, mas quebrar a confiança de meus terapeutas tomando uma superdose de medicações, parece uma brincadeira perto dos meios de extravazar minha fúria, que imagino às vezes. Me mutilar com um estilete é apenas um paliativo, para quem não tem coragem de tornar os cortes mais fundos e ver o sangue jorrar até a vida se esvair junto com ele. A fúria, a revolta, que me dominam são normalmente por coisas, fatos, acontecimentos ou situações que não posso modificar. Pela minha impotência perante certas coisas.


Por isso tantas sombras, escuridão e violência em meus quadros. Quer dizer, em alguns. O meu pai queria que eu pintasse paisagens, como no início. Mas só se elas significarem algo para mim. Só se a ideia geral da tela significar algo e me representasse de alguma forma. Tem que ter algum sentido. Até posso pintar paisagens, ás vezes, mas quero mesmo é ser apreciado pelos meus outros quadros. Quero que as pessoas se questionem, entendam, ou apenas aceitem e, de preferência, se interessem pela minha escuridão transposta para a tela em forma de arte. Quero ser amado em toda minha “obscuridade exposta”. E, de quebra(kkkkk), sentir-me aliviado em meus impulsos. Sendo eles destrutivos ou não.”










Agora estou melhorzinho. Esse texto, escrevi no período pós quase suicídio e pré internação e ECT. Fico pensando o que significa eu hoje ter tido pensamentos auto-destrutivos. Será que é normal para alguém que está com medicamentos ajustados e fez uma penca de ECT? Vou ter que relatar para a minha psiquiatra. Espero que não signifique nada de ruim. Em manhãs como a de hoje, penso que apesar de todas as desvantagens que existem, as vezes a internação consegue ser quase melhor do que aqui fora. O pelo menos do que aqui em casa. Mas provavelmente se eu estivesse lá, estaria ansiando pelo dia da alta. Certas coisas são mais complicadas do que parecem. Fico por aqui. Beijos aos que lerem.
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